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Jovem que estudou em casa sem eletricidade é aprovado em medicina na UFRB

Matheus de Araújo, de 25 anos, comemora aprovação na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) - Reprodução/Arquivo Pessoal
Matheus de Araújo, de 25 anos, comemora aprovação na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Daniel Rocha

Colaboração para o UOL

29/06/2021 18h12Atualizada em 30/06/2021 13h28

O estudante Matheus de Araújo, de 25 anos, acaba de dar mais um passo em direção ao sonho de se tornar médico: ele acaba de ser aprovado no curso de medicina da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Mas até ver o nome na lista, o caminho do jovem não foi fácil: ele estudava para o vestibular em uma casa emprestada por uma amiga, sem energia elétrica, em Feira de Santana (BA), cidade onde mora. Agora como universitário, o baiano tem um novo desafio pela frente: arrecadar dinheiro para se manter fora de casa, já que o campus em que estudará fica em Santo Antônio de Jesus, a pelo menos 2 horas de sua atual residência e sem opções de transporte público.

Por enquanto, as aulas de Matheus, que começaram ontem, acontecem de forma remota por causa da pandemia. A expectativa é que ele se mude para Santo Antônio de Jesus no fim deste ano. "É um sentimento de muita alegria. A ficha ainda nem caiu. A minha família está em festa", diz Matheus em entrevista ao UOL comentando a aprovação.

Na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o jovem tirou 980 na prova de redação, o que lhe ajudou a conquistar uma vaga na universidade federal. O jovem tentava passar em medicina desde 2015, quando desistiu do curso de enfermagem. A mudança aconteceu com a ideia de dar uma assistência médica mais específica ao irmão de 21 anos, que sofre com algumas sequelas deixadas pela meningite.

No ano passado, quando a biblioteca municipal de Feira de Santana precisou ser fechada por causa da pandemia, o rapaz ficou sem um espaço adequado para estudo. A casa em que mora, com o barulho dos irmãos, não permitia que Matheus seguisse com sua rotina de estudo. Foi então que ele transferiu sua "sala de aula" para uma residência sem energia elétrica, emprestada por uma amiga.

Diante das inúmeras dificuldades, o estudante confessa que muitas vezes pensou em desistir.

"O que me fez não desistir foi o meu irmão. Ele e outras pessoas do meu bairro que possuem necessidades especiais eram a minha motivação", afirma.

Por esse motivo, Matheus pretende se especializar em neurologia ou em saúde da família, para garantir assistência médica para quem não tem acesso. "Pode mudar, mas pretendo investir na saúde da família ou em neurologia. Eu vou poder ajudar bastantes pessoas e também o meu irmão", argumenta.

Para financiar sua mudança para outra cidade, Matheus lançou uma vaquinha virtual. O objetivo é arrecadar R$ 30 mil, o suficiente para se manter no primeiro ano.

"Eu vou conseguir uma bolsa no futuro", diz confiante. "Mas até lá, preciso ter dinheiro para pagar aluguel, alimentação, entre outros gastos", complementa.