Topo

Pais fazem abaixo-assinado contra exigência de vacina em escola do Rio

Unidade da Gávea da Earj (Escola Americana do Rio de Janeiro) - Divulgação
Unidade da Gávea da Earj (Escola Americana do Rio de Janeiro) Imagem: Divulgação

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

11/01/2022 16h07

Pais e responsáveis de alunos da Earj (Escola Americana do Rio de Janeiro) criaram um abaixo-assinado na internet contra a exigência de vacinação dos alunos de cinco a 11 anos contra a covid-19.

A reivindicação acontece após as unidades Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, e Gávea, na zona sul, comunicarem na última sexta-feira (7) que a imunização dos estudantes é uma condição para a retomada das atividades presenciais na escola, conforme calendário estipulado pela Prefeitura do Rio.

O UOL apurou que a medida é parte da política implementada no semestre anterior, cujo objetivo é ter o máximo possível de alunos vacinados.

A obrigatoriedade levaria em consideração o calendário oficial de vacinação divulgado pela Prefeitura do Rio que prevê o início da imunização de crianças com 11 anos no próximo dia 17. De acordo com o cronograma, a intenção da prefeitura é vacinar, até o fim deste mês, todas as meninas e meninos com até oito anos de idade.

O abaixo-assinado reunia até a tarde de hoje mais de 250 assinaturas. No entanto, como ele se encontra aberto na internet, qualquer um pode assiná-lo. A reportagem verificou que, entre as assinaturas, há pessoas de São Paulo e Belo Horizonte.

O abaixo-assinado defende que a vacinação do público infantil seja uma atribuição dos pais, "não cabendo ao diretor da escola ou à diretoria, o direito moral ou a competência médica para compelir os pais a vacinarem suas crianças, sob pena de privá-los de frequentar presencialmente a escola".

"Conforme está ocorrendo na maioria dos lugares ao redor do mundo, os ministérios da Saúde e da Educação, únicos órgãos competentes para tornar a vacina obrigatória para crianças, não estão exigindo que crianças sejam vacinadas contra a covid-19, como condição de manterem uma vida normal ou frequentarem as escolas", diz outro trecho do abaixo-assinado.

O documento foi chamado de "Interromper a Vacinação Contra a Covid Obrigatória na EARJ". O UOL fez contato com 14 responsáveis por alunos da escola, e apenas um concordou em se manifestar sob a condição de não ter a identidade revelada.

"Não gostaria de entrar na discussão se a vacina é ou não segura para crianças menores de 12 anos, o que sei é que se trata de uma decisão que exclui, que divide e também não acho que esse seja o melhor caminho. A decisão de vacinar ou não pertence somente aos pais, e não à escola", disse a mãe de um aluno.

Questionada, ela afirmou que prefere não vacinar imediatamente o filho e aguardar o "amadurecimento da orientação".

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a vacinação dessa faixa etária. "A presença de uma variante como a ômicron, com maior transmissibilidade, mesmo se comprovada sua menor severidade, torna grupos não vacinados (como crianças menores de 12 anos) mais vulneráveis ao risco da infecção e suas complicações, conforme vem sendo observado em outros países com presença desta variante. Neste contexto epidemiológico, estamos convencidos que ampliar o benefício da vacinação a este grupo etário é sim uma prioridade."

Procurada, a assessoria de imprensa da escola disse que o colégio não vai se manifestar.

A Earj é uma escola de ensino bilíngue. Com 12 hectares, a unidade da Gávea, na zona sul carioca, possui mais de 700 alunos. A escola tem vista para pontos turísticos, como o Cristo Redentor. Já a unidade da Barra da Tijuca tem 400 estudantes e está situada numa área residencial.