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História do Brasil

Cultura popular no Estado Novo

Camila Koshiba Gonçalves*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Objetivos

1) Caracterizar as funções do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

2) Compreender formas criativas de reação popular à ditadura do Estado Novo.

Ponto de partida

  • Ler o item Censura e Propaganda do texto Estado Novo no site Educação.

  • Ler abaixo a letra da canção "O Bonde São Januário" que pode ser ouvida aqui .

    O Bonde São Januário
    (Wilson Batista e Ataulfo Alves)

    Quem trabalha é que tem razão
    Eu digo e não tenho medo de errar
    O bonde São Januário
    Leva mais um operário:
    Sou eu que vou trabalhar

    Antigamente eu não tinha juízo
    Mas resolvi garantir meu futuro
    Vejam vocês:

    Sou feliz, vivo muito bem
    A boemia não dá camisa a ninguém
    É, digo bem

    Justificativa

    O Estado Novo varguista teve início em um momento peculiar da história brasileira, quando os meios de comunicação de massa, especialmente o rádio, o disco e o cinema consolidavam-se no país e constituíam-se em mercado de trabalho para muitos artistas pobres que viram neles uma possibilidade - precária, é verdade - de ascensão social. A produção cultural do período, especialmente aquela considerada como "cultura popular", é vista como reflexo das políticas públicas, deixando de levar em consideração as formas criativas encontradas pela população para lidar com o regime ditatorial.

    Estratégias

    1) A partir da percepção dos estímulos midiáticos que nos cercam (músicas, imagens, publicidade), discutir com os alunos o alcance dos modernos meios de comunicação de massa nos dias de hoje.

    2) Criar, junto com os alunos, estratégias de repressão a esses estímulos. Ao longo da atividade, os alunos devem perceber a dificuldade em censurar os meios de comunicação de massa e a necessidade de um imenso e bem articulado corpo de censores para que o plano se efetive.

    3) Ler a letra ou ouvir a canção "O Bonde São Januário" e analisar os princípios do DIP ou do Estado Novo presentes na canção.

    4) Substituir o termo "operário" do verso "Leva mais um operário" por "sócio otário", versão original cortada pela censura do DIP.

    5) Discutir com a classe a precariedade da situação dos músicos populares, especialmente dos sambistas negros cariocas, e as razões da sua opção pela versão do DIP.

    6) Discutir as funções do DIP a partir das diretrizes legais que nortearam a sua criação e relativizar o alcance do nacionalismo estatal presente nos sambas produzidos ao longo do Estado Novo.

    *Camila Koshiba Gonçalves é mestre em história social pela USP e professora do Colégio Ítaca.
  • Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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