
A denominada Revolta dos Malês possibilita a observação da continuidade da luta pela libertação ou mesmo de questões conjunturais relacionadas a exploração da mão-de-obra escrava negra no Brasil.
O reconhecimento de revoltas como esta permite visualizar a abolição da escravatura em um processo de longa duração, no qual ela não apareça como uma ação redentora da princesa Isabel, mas que seja analisada de modo mais complexo, evidenciando as pressões internas e externas que o Estado brasileiro vivenciava.
Tal abordagem permite debater com os alunos as temáticas que foram por muito tempo silenciadas nos materiais didáticos e auxilia na percepção dos negros em busca da liberdade.
2) Observação das lutas dos negros em busca da liberdade e também da liberdade religiosa;
3) Percepção do uso da língua (árabe) para organização da revolta;
4) Reconhecimento das especificidades dos negros de ganho (espaço urbano) para desenvolvimento da revolta;
5) Percepção de fatos históricos que foram silenciados nos livros didáticos.
Faça a exposição da relevância de cada um destes aspectos e demonstre como estão relacionados. Evidencie o uso do árabe para a organização da revolta, o fato da maior parte dos malês serem negros de ganho (o que possibilitava maior mobilidade por Salvador e facilitava sua organização e a conquista da alforria e de dinheiro para armas e munições) e ainda as motivações para escolha do 25/01 para a realização da revolta.
2) Para esclarecer como o uso da língua auxiliou durante o planejamento da revolta faça uma pequena dinâmica com a turma. Dê a um pequeno grupo de alunos a explicação de um código que tenha inventado e escreva frases engraçadas na lousa usando este código, sem que os demais saibam por que os colegas estão rindo;
Depois, pergunte quais foram as sensações em não entender o que estava sendo dito. Parta das observações de seus alunos para desenvolver a explicação.
3) Depois de observar estes aspectos peça que dispostos em grupos os alunos escrevam pequenas sínteses do que foi esta revolta e apresentem para a turma, que deve ajudar a efetuar a escolha de alguns textos para compor o mural da sala. A escolha deve estar pautada na clareza do texto e principalmente na análise dos sujeitos históricos em luta por seus objetivos.
2) Entregue uma pesquisa que deve ser preenchida pelos alunos e depois os resultados devem ser coletivamente tabulados para que possa se desenvolver um debate sobre as temáticas que pouco aparecem nos materiais didáticos e as conseqüências deste fato.
Na pesquisa podem ser lançadas questões como: As lutas/resistências negras pela liberdade aparecem com freqüência nesta coleção?; Quais são as revoltas/resistências apresentadas?; Os africanos e afrodescendntes são estudados apenas quando a temática é escravidão?; Vocês utilizarão esta coleção se precisassem estudar o papel dos negros na formação do povo e da cultura brasileiras?; Estes livros permitem visualizar os negros como sujeitos da própria história? etc.
Obviamente deve ser efetuada a análise dos livros como documentos, se perguntando quem escreve, em que contexto etc. Para que os alunos percebam as transformações na própria escrita da história;
Observação: Os alunos podem estar em equipes em que cada um analisará um livro (grupos com quatro alunos) ou equipes em que um livro seja analisado por dois alunos (grupos com oito alunos). Esta escolha deve observar suas dificuldades e faixa etária. Além disso, acompanhe as pesquisas para que saibam buscar a temática nas obras.
2) Se o tempo disponível para a abordagem desta temática for curto, deixe as coleções prontas para pesquisa na biblioteca, caso contrário, deixe que seus alunos desenvolvam esta atividade para que você ensine inclusive, como se efetua este tipo de pesquisa. Desta maneira o professor não desenvolve apenas habilidades cognitivas, mas também procedimentais.
*Érica Alves da Silva é historiadora
Por ordem alfabética
Sites e publicações