
2) Destacar que, para Agnes Heller, embora haja sempre uma dimensão subjetiva nas escolhas éticas, um indivíduo sempre se defronta com as prescrições histórico-sociais válidas para o conjunto da sociedade. Ou seja, quando nascemos (em circunstâncias sociais concretas), já encontramos sistemas de valores previamente definidos que nos são transmitidos. Nossas escolhas são mediadas por esses sistemas de valores. Por isso dizemos que não se trata de uma escolha subjetiva, mas individual, quer dizer, possível a um sujeito nascido em determinadas condições histórico-sociais.
2) Evidenciar que mesmo quando optamos por não fazer algo em alguma circunstância, estamos fazendo uma escolha, pela qual somos responsáveis. Perguntar aos alunos o que orienta nossas escolhas?
3) Perguntar como explicaríamos, então, as diferenças que diferentes indivíduos apresentam em relação às escolhas éticas. Uma primeira explicação poderia ser de que diferentes ambientes e estratos sociais estão marcados por sistemas de valores também diferentes.
Um segundo ponto a considerar é que, ao longo da vida, nos deparamos com outros sistemas de valores, próprios de outros ambientes ou estratos sociais ou mesmo próprios de sociedades mais antigas.
Isso significa dizer que temos uma relativa autonomia de interpretação e de escolha. "Relativa" porque a situação social em que nos encontramos e os diversos sistemas de valores que coexistem num determinado momento histórico se constituem nos limites para nossa interpretação e realização de valores. Nesse sentido é que dizemos que se trata de uma escolha individual e não subjetiva.
4) Voltar ao extrato do texto de Heller, que abriu a discussão, e pedir que explicitem o que entendem por autonomia de interpretação e de escolha. Provocar a reflexão dos alunos, dizendo se o fato de nos referirmos a uma sociedade nos alivia da responsabilidade por nossas escolhas éticas. Por exemplo, o que queremos dizer, quando falamos que agimos de uma determinada maneira porque todo mundo faz assim? Heller talvez respondesse que uma boa maneira de refletir sobre nossas escolhas éticas e a realização das mesmas é sempre supor que deveríamos ter agido de outro modo.
5) Por fim, comentar que há na obra de Heller uma dupla preocupação: com a intenção e com a conseqüência. Ter uma intenção pautada em determinados valores é importante, mas não é suficiente. É preciso reconhecer as conseqüências de nossas ações, mas, é claro, aquelas conseqüências que são previsíveis.
*Celina Fernandes Bruniera é mestre em sociologia da educação pela Universidade de São Paulo e assessora educacional.
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