A série Romaem sala de aula

Túlio Vilela

Objetivos

1) Despertar maior interesse pela Roma Antiga nos estudantes do ensino médio, tornando o assunto mais envolvente e promovendo a reflexão sobre as relações entre a sociedade contemporânea e a sociedade em questão, da qual herdamos várias instituições.

2) Estimular os alunos a questionar as visões estereotipadas a respeito dos antigos romanos, popularizadas em outros filmes e produtos da indústria cultural.

3) Compreender que conceitos como "cidadania" e "escravidão" são construções históricas, que tiveram diferentes significados em diferentes contextos temporais, passando por diversas transformações, até terem o significado que possuem hoje.

4) Fornecer elementos para os alunos entenderem que não podemos avaliar outra cultura, julgando-a por nossos próprios critérios. A sociedade romana é anterior à moral judaico-cristã e mais ainda aos ideais iluministas. Por isso, idéias como "pecado", "igualdade" ou "direitos humanos" eram totalmente desconhecidas.

Comentários

De modo geral, em termos de fidelidade e autenticidade históricas, a série é muito superior à maioria dos filmes que Hollywood produziu sobre o assunto. Nesta minissérie, os romanos são mostrados como pertencentes a uma cultura que tinha valores e concepções que não eram os mesmos que encontramos na moral judaico-cristã.

Os dois protagonistas da série são inspirados em um centurião e um legionário, mencionados - de passagem - por Júlio César em seu relato sobre a conquista da Gália. Portanto, tudo a respeito deles é apenas produto da imaginação dos roteiristas da série. Mas as tramas são, em sua maioria, verossímeis e possuem o mérito de apresentar os diferentes grupos que compunham a sociedade romana.

Indicação

Devido a suas cenas de sexo e violência, a série é desaconselhável para menores de dezesseis anos. Aconselhamos sua utilização somente para alunos do ensino médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Estratégias

1) Exibir na sala de aula um ou mais episódios da série "Roma". Antes da exibição em sala de aula , é fundamental que o professor assista em casa a todos os episódios da primeira temporada para depois decidir qual deles pretende exibir. Em primeiro lugar, porque seria totalmente inviável passar a série inteira na sala de aula. Um ou dois episódios já pode tomar duas ou mais aulas.

Em segundo lugar, porque ninguém é mais indicado que o próprio professor, que conhece e convive com seus alunos, para saber o que é mais adequado para essa ou aquela classe específica. Por exemplo, assistindo à série em casa, o professor pode concluir que seria interessante exibir um determinado episódio para a turma "X", mas não para a turma "Y".

2) Antes de exibir o episódio que você selecionou, é fundamental esclarecer aos alunos que uma atividade, trabalho ou avaliação será feita a partir do filme. A exibição do filme não pode de modo algum ser confundida com um meio de "matar aula". Planejar aulas diferenciadas não é sinônimo de "enganação". Oriente os alunos a fazer breves anotações no caderno enquanto assistem ao filme.

Atividades

1) Diversos tipos de atividades podem ser desenvolvidos a partir dos episódios de "Roma". Desde uma prova com questões referentes ao filme e ao que os alunos aprenderam sobre os romanos em outras fontes utilizadas na sala de aula (textos do site Educação, livro didático etc.) até debates.

2) Entre os aspectos que podem ser trabalhados nas questões estão a religiosidade dos romanos, que a série apresenta na forma de diversos rituais domésticos; o fato de que os escravos exerciam funções bem especializadas, alguns até viviam em condições melhores que a maioria dos plebeus livres (um exemplo da série é Posca, o escravo de Júlio César, que exercia funções de secretário e conselheiro) e a relatividade dos conceitos morais, principalmente no que se refere à sexualidade (convém destacar que a série mostra que os plebeus não eram tão "liberais" ou "promíscuos" quanto os patrícios).

3) "Roma" permite traçar comparações entre a sociedade romana e a nossa. Um exemplo é o fato de que a concepção de casamento deles era diferente da concepção atual: a maioria dos casamentos era de conveniência, não por amor, a virgindade feminina era valorizada e a média de idade das noivas estava em torno de doze ou treze anos. Por outro lado, também encontramos semelhanças: a corrupção nos bastidores do poder, os subornos, a compra de votos, as intrigas políticas.

Sugestões e dicas

1) Convém que o professor utilize os DVDs não apenas para fins de exibição, mas também para sua própria consulta. Após ter assistido à série, uma das opções disponíveis é revê-la no modo intitulado "All roads leave to Rome" ("Todos os caminhos levam a Roma"), que traz os episódios acompanhados de pequenos textos, semelhantes a notas de rodapé, com observações e comentários sobre aspectos históricos presentes em cada cena.

Apesar de estarem apenas em inglês, esses textos são curtos e, caso o professor não esteja familiarizado com esse idioma, podem ser lidos facilmente com o auxílio de dicionários.

2) Os episódios de "Roma" contêm muitas cenas de violência e de sexo quase explícito. No entanto, elas estão a serviço da trama, pois nos lembram que a sociedade romana era muito diferente da nossa: os patrícios mantinham relações sexuais na presença dos seus escravos (a idéia de privacidade era algo desconhecido); os escravos eram vistos apenas como "propriedades", etc.

Descartar totalmente a idéia de utilizar os episódios da série por causa das cenas de sexo (que, curiosamente, parecem causar mais preocupação que as de violência) é uma incoerência nesta época, em que as questões sobre a sexualidade e as relações de gênero se tornam cada vez mais assunto obrigatório nas salas de aula.

Roma - primeira temporada

Produção: HBO - BBC - RAI

Distribuição: Warner Home Video

6 DVDs

Túlio Vilela
formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto).



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