Linguagem

Carlos Emílio Faraco

Ponto de partida

Os textos Funções da linguagem, Figuras de linguagem, Linguagem verbal e não-verbal e Meios de comunicação de massa do site Educação.

Objetivos

1. Identificar a dinâmica de cada linguagem na produção de sentido.

2. Analisar manifestações culturais na perspectiva das linguagens.

3. Intervir conscientemente no meio.

Conceitos

1. Cultura,

2. Linguagem verbal,

3. Linguagem não-verbal,

4. Signo,

5. Denotação,

6. Conotação,

7. Figuras,

8. Entrevista.

Desenvolvimento

Sugere-se que o trabalho seja feito em grupos de cinco alunos no máximo.

1. Colhendo, documentando e organizando informações

O professor, junto com a classe, determina o recorte que se deseja escolher como campo de trabalho. Sugerimos que seja a comunidade em que a escola se situa.

Delimitado o campo, pede-se que os alunos recolham o maior número de informações possíveis sobre a produção cultural desse campo, valendo-se do conceito de cultura implícito nos dois primeiros parágrafos do texto "Linguagem verbal e não-verbal". Assim, os alunos deverão recolher informação sobre artes visuais, artes plásticas, literatura, moda das "tribos", jornais que circulam no campo determinado, folhetos de propaganda, outdoors, enfim, toda e qualquer manifestação cultural (no sentido amplo do termo).

Essas informações são organizadas em setores.

2. Socializando informações

Uma vez setorizadas, as informações ficam à disposição dos grupos durante uma semana. Cada grupo deve, necessariamente, tomar conhecimento das informações colhidas pelos demais, bem como da organização desse conteúdo, comparando-o com o seu arquivo.

Obs: comparar é uma competência que precisa ser desenvolvida e reforçada. Cabe ao professor fazer o diagnóstico dessa competência no grupo e orientar como se fazem comparações. No caso dos conteúdos de que estamos tratando, esse passo do desenvolvimento do trabalho tem por objetivo identificar semelhanças entre os recursos utilizados por cada uma das linguagens já estudadas.

3. Analisando linguagens e suportes

Cada grupo analisa alguns tópicos das linguagens e dos suportes que veiculam as informações coletadas e organizadas. Junto com o grupo, o professor pode estabelecer um roteiro de análise. (*)

(*) Obs: o professor deve insistir na necessidade de se empregarem os mesmos conceitos, para que o diálogo adquira consistência. Ao final do trabalho, se for necessário, os conceitos podem ser revistos. Na sugestão de roteiro os conceitos estão destacados.

a. Classificar a linguagem de cada "documento" coletado. Por exemplo, nos jornais da comunidade deverá ocorrer tanto a linguagem verbal como a não-verbal; no artesanato pesquisado, provavelmente predomina linguagem não-verbal; na moda, idem... E assim por diante.

b. Descrever os recursos de cada linguagem. Por exemplo: a língua escrita de um poema colhido na comunidade conta com quais recursos? E um quadro pintado por um membro da comunidade?

c. Comparar esses recursos. Por exemplo: como se "lê" cada uma dessas manifestações? (A leitura é segmentada ou se dá, num primeiro momento, de forma global?) Que implicações tem essa maneira de ler? (Demora-se mais pra ler um quadro ou um poema?) Quais os suportes de que se vale cada um dos objetos escolhidos para análise (papel no caso do poema impresso; tela e tinta no caso de um quadro...)

d. Identificar as figuras que aparecem em cada manifestação. Lembrar sempre que a noção de figura não é exclusiva da linguagem verbal. Há metáforas e gradações visuais, por exemplo.

e. Analisar os efeitos dessas figuras no todo de cada manifestação. Por exemplo: para que serve uma metáfora visual num anúncio publicitário? Que efeito de sentido a gradação promove em filmes de terror?

f. Entrevistar autores das obras selecionadas. Por exemplo: um engenheiro que tenha participado da construção de um prédio importante da comunidade; uma bordadeira conhecida na comunidade... Estabelecer com os alunos um roteiro de entrevista, buscando depoimentos sobre como cada produtor de cultura sente a linguagem que utiliza.

g. Entrevistar "consumidores" das obras selecionadas. Por exemplo: Por que se lê mais um jornal que outro (se houver mais de um circulando no contexto delimitado)? Por que se consome - ou não se consome - o artesanato local? Qual a reação da pessoas mais velhas diante da linguagem da roupa utilizada pelas "tribos" do contexto analisado? Que reação provocam as tatuagens?

Intersecções

a. Aproximar as linguagens, se possível, identificando recursos comuns entre elas e analisando a estrutura de cada uma, obviamente no nível apropriado ao aluno de ensino médio.

b. Comparar as entrevistas dos produtores e dos consumidores e identificar pontos comuns e diferenças mais acentuadas.

Conclusão

a. Fazer um painel em que se mostrem as intersecções das várias linguagens que circulam no meio escolhido.

b. Identificar a linguagem mais utilizada e explicar o motivo dessa predominância.

c. Identificar e analisar a conseqüências dessa predominância. Por exemplo: cinema(s) cheio(s) e biblioteca(s) vazias? Emprestam-se e compram-se mais livros na comunidade ou alugam-se e compram-se mais filmes em VHS ou DVD?

Intervenção

Depois desse mapeamento, cada grupo deverá propor medidas que julga importantes para o incremento da produção e do consumo de bens culturais da comunidade. Por exemplo, a necessidade de montar um cineclube que pode funcionar na escola; a conveniência de participar mais da seção "Carta do leitor" do jornal da comunidade, visando a tornar o jornal mais dinâmico e também a marcar posição na comuidade; as conseqüências da diminuição do número de artesãos da cidade, entre muitos outros.

Para finalizar, as linguagens, que foram tema do trabalho, deverão ser utilizadas de forma mais consciente e diversificada na apresentação das conclusões e nas propostas de intervenção. Cada grupo escolhe um suporte e uma linguagem para apresentar essas conclusões e propostas: relatório escrito, jornal impresso, jornal falado, jornal televisivo, peça de teatro, maquete, apresentação em Power-Point, construção de site...

Sugestões finais

a. Consideramos que um mês é tempo suficiente para a elaboração do trabalho.

b. A apresentação das conclusões poderá, se o grupo assim decidir, ter os moradores da comunidade como público-alvo.

c. As autoridades da comunidade ou da cidade podem ser convidadas para debater sugestões que envolvam o poder público.

Carlos Emílio Faraco
professor aposentado, é autor de vários livros didáticos nas áreas de língua portuguesa e literatura brasileira.



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