Narrativa em três vias

Jorge Viana de Moraes

Preliminares

O que são jogos teatrais?

Os jogos teatrais são procedimentos lúdicos com regras explícitas. A palavra teatro tem sua origem no vocábulo grego theatron que significa "local de onde se vê" (platéia). A palavra drama, também oriunda da língua grega, quer dizer "eu faço, eu luto". No jogo dramático entre sujeitos (faz-de-conta) todos são "fazedores" da situação imaginária, todos são "atores". Nos jogos teatrais o grupo de sujeitos que joga pode se dividir em "times" que se alternam nas funções de "atores" e de "público", isto é, os sujeitos "jogam" para outros que os "observam" e "observam" outros que "jogam". (Slade,1978, p.18 apud Japiassu, 1998).

Como surgiu?

Foi Viola Spolin quem, de forma pioneira, elaborou a sistematização de uma proposta para o ensino do teatro, em contextos formais e não-formais de educação, através de jogos teatrais. Ao longo de quase três décadas de pesquisas junto a crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos e idosos nos Estados Unidos da América, Spolin, utilizando a estrutura do jogo com regras como base para o treinamento de teatro ambicionava libertar a criança e o ator amador de comportamentos de palco mecânicos e rígidos. Seus esforços resultaram no oferecimento de um detalhado programa de oficina de trabalho com a linguagem teatral destinado a escolas, centros comunitários, grupos amadores e companhias teatrais.

Ponto de partida

Você pode introduzir aos poucos os jogos teatrais em suas aulas de língua portuguesa. Lembre-se de que é um jogo. Se algum aluno não quiser participar, não tem problema. Ele ficará de fora como platéia, somente assistindo - isso poderá instigá-lo a entrar no jogo. Os demais participantes são jogadores, sendo assim, deverão obedecer estritamente às regras, que serão ditas pelo professor, que neste caso estará desempenhando o papel de coordenador. A narrativa em três vias é um excelente exercício de escrita, através dos jogos teatrais.

Objetivos

1) Levar os alunos ao desenvolvimento da escrita imaginativa (literária);

2) Motivar os alunos a manter contato com a literatura;

3) Desenvolver técnicas de narração;

4) Desenvolver a habilidade de concentração.

Estratégias

1) Peça aos alunos que dividam uma folha de caderno, na horizontal, em três colunas;

2) Dite para eles somente o início de três narrativas famosas ou não (uma em cada coluna);

3) Peça para que enumerem as colunas de 1 a 3;

4) Explique que, daquele ponto em diante das narrativas, eles irão dar continuidade às histórias;

5) No entanto, somente escreverão por intermédio de seus comandos, isto é, você que determinará o tempo e em qual coluna eles irão escrever. Reforce a necessidade de eles respeitarem as regras, afinal, é um jogo.

6) Dê o comando para que mudem de coluna de modo alternado. Ex.: "Agora, coluna número 3!", passados alguns minutos, "Coluna número 1!". E assim por diante. Obs.: vá diminuindo o espaço de tempo entre uma mudança e outra.

7) Decorridos alguns minutos, diga para que dêem um rumo final para história, isto é, um desfecho, porque dali alguns minutos você encerrará o jogo.

Comentários

Este é um excelente exercício para se treinar a concentração e a escrita, a partir da criação de enredos. No início, é natural as histórias se misturarem. A cada jogo, vá criando novas regras com o intuito de atingir um novo grau de dificuldade.

Jorge Viana de Moraes
é professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras. Atualmente, mestrando em Língua Portuguesa e Filologia pela Universidade de São Paulo.



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