
Por meio da linguagem, também realizamos diferentes ações: transmitimos informações, tentamos convencer o outro a fazer (ou dizer) algo, assumimos compromissos, ordenamos, pedimos, demonstramos sentimentos, construímos representações mentais sobre nosso mundo, enfim, pela linguagem organizamos nossa vida do dia a dia, em diferentes aspectos.
Diferenciar que objetivo predomina em cada situação de comunicação auxilia a compreender melhor o que foi dito.
As funções da linguagem estão centradas nos elementos da comunicação. Toda comunicação apresenta uma variedade de funções, mas elas se apresentam hierarquizadas, sendo uma dominante, de acordo com o enfoque que o destinador quer dar ou do efeito que quer causar no recebedor. As funções da linguagem são as seguintes:
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Compare os dois textos a seguir:
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“Não
só baseado na avaliação do Guia da Folha, mas também
por iniciativa própria, assisti cinco vezes a “Um filme
falado”. Temia que a crítica brasileira condenasse o filme
por não se convencional, mas tive uma satisfação
imensa quando li críticas unânimes na imprensa. Isso mostra
que, apesar de tantos enlatados, a nossa crítica é antenada
com o passado e o presente da humanidade e com as coisas que acontecem
no mundo. Fantástico! Parabéns, Sérgio Rizzo, seus
textos nunca me decepcionam.” |
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****UM
FILME FALADO - Idem. França/Itália/Portugal, 2003.
Direção: Manoel de Oliveira. Com: Leonor Silveira, John
Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli e Irene Papas. Jovem
professora de história embarca com a filha em um cruzeiro que vai
de Lisboa a Bombaim. 96 min. 12 anos. Cinearte 1, desde 14. Frei Caneca
Unibanco Arteplex7, 13h, 15h10, 17h20, 19h30 e 21h50. |
O efeito que resulta é o destaque para a subjetividade do emissor, sua adesão ao conteúdo que informa. Não é o fato, mas o ponto de vista do emissor que está em destaque, sua percepção dos acontecimentos. Nesse exemplo, temos o enfoque no emissor e a função predominante nesse texto é a função emotiva ou expressiva.
Esse conjunto de informações dá ao destinador a impressão de objetividade, como se a informação traduzisse verdadeiramente o que acontece no mundo real. Nesse caso, a função predominante é a função referencial ou informativa.
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Nesse texto, o destaque está no destinatário. Para isso o emissor se valeu de procedimentos como o uso da 2ª pessoa (tu, ou, no caso do português brasileiro, você), o uso do imperativo (Não perca). O resultado é a interação com o destinatário procurando convencê-lo a realizar uma ação: ir ao espaço cultural. Espera-se como resposta que o destinatário realiza a ação.
Os textos publicitários em geral procuram convencer ou persuadir o destinatário a dar uma resposta, que pode ser a mudança de comportamento, de hábitos, como abrir conta em banco, freqüentar determinados tipos de lugares ou consumir determinado produto. Nesse tipo de texto, o foco está no destinatário e o predomínio é da função conativa ou apelativa.
Nesse exemplo, o predomínio da mensagem é da função metalingüística. Fazemos uso de metalinguagem, ao preencher um exercício de palavras cruzadas ou consultar um dicionário. Nessas situações, estamos nos atendo ao próprio código, isto é, estamos usando a linguagem (o código) para falar, explicar, descrever o próprio código lingüístico.
| Tecendo
a manhã João Cabral de Melo Neto Um
galo sozinho não tece uma manhã: |
Aqui, temos um texto em que a função se centra na própria mensagem, como se o conteúdo fosse transparente, a mensagem chama a atenção para o lado material do signo, como a sonoridade (veja a repetição da vogal a e dos sons nasais), a estrutura, o ritmo. Observe que há rupturas no modo como a frase normal se organizaria (3º verso: esse grito que ele/ 4º verso: e o lance a outro..) Experimente fazer a seguinte leitura: 2º verso termina com galos, 4º verso começa com e o lance a outro, 4º verso termina com galo, 6º verso começa com e o lance a outro, 7º verso termina com cruzem, 9º verso começa com para que a manhã. É possível perceber a teia se tecendo, nas próprias palavras?
O efeito é de estranhamento, de novidade, pela exploração dos vários elementos do signo. É importante lembrar que, embora a função poética, esteja mais presente na poesia, não é exclusividade da literatura. A linguagem da publicidade explora os recursos dos signos, construindo novos sentidos ao romper com o modo tradicional como vemos as palavras.
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