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Reforma Ortográfica

Linguista critica Portugal e prevê 20 anos para unificar idioma

O linguista português Malaca Casteleiro lamentou nesta quarta-feira os atrasos de Portugal em aplicar o acordo ortográfico, e estimou que serão necessários mais 20 anos para a unificação da língua portuguesa no mundo.

Para o acadêmico, que acaba de lançar um dicionário ortográfico com 180 mil palavras para facilitar o entendimento do novo acordo, uma redação comum em todos os países de língua oficial portuguesa exigiria os 20 anos ou mais que se passaram desde a aprovação até a entrada em vigor do novo tratado.

"Estou convencido de que a realização de um vocabulário ortográfico unificado, se calhar, exigia outros 20 anos ou mais, infelizmente", disse Casteleiro, nesta quarta-feira, em Bragança, na abertura do 8º seminário anual da Lusofonia.

Durante quatro dias, acadêmicos curiosos de vários países de língua oficial portuguesa participam de um debate sobre os problemas do idioma e a aplicação do novo acordo ortográfico.

Malaca Casteleiro é o autor do mais recente dicionário ortográfico da língua portuguesa, editado pela Porto Editora, com 180 mil palavras escritas no formato do novo acordo.

O dicionário não recebeu apoio oficial do governo português, que aguarda a conclusão de outra publicação do gênero, elaborada pela Academia das Ciências de Lisboa e que deve ser lançada até o final do ano.

No Brasil, a Academia Brasileira de Letras (ABL) já finalizou um dicionário ortográfico com 300 mil palavras.

Segundo os linguistas, a partir dos vocábulos recolhidos em cada um dos países é que poderá ser elaborada uma versão unificada.

No Brasil, o acordo ortográfico começou a vigorar em janeiro. O imortal da ABL Evanildo Bechara afirmou nesta quarta, em Bragança, que na opinião dos diretores de veículos de comunicação, por exemplo, "não há problema na implantação do acordo, porque as diferenças são mínimas entre o que praticavam antes e depois".

Malaca Casteleiro criticou "os atrasos" de Portugal, especificamente "a falta de iniciativas ao nível do Ministério da Educação".

"O governo dava seis anos para a aplicação completa do vocabulário do novo acordo ortográfico e a verdade é que, ao nível do Ministério da Educação, não houve ainda nenhuma iniciativa", disse.

Para o linguista, "não faz sentido que as crianças do primeiro ciclo estejam a aprender uma ortografia que daqui a um ano ou dois vai ser desatualizada".

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