
O cão e a lebre
Um
cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas
depois de longa perseguição, ele parou a caçada.
Um pastor de cabras vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo: Moral:O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é que vai determinar sua qualidade final. | |
Fábula | Elementos de coesão |
| Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição,ele parou a caçada. Um pastor de cabras, vendo-o parar, ridicularizou-odizendo:
“Você
não vê a diferença entre nós: eu estava correndo
apenas por um jantar, mas ele por sua vida.” |
1- No início da fábula, as personagens são indicadas por artigos indefinidos que marcam uma informação nova (ou não dita anteriormente): “Um cão de caça” + “uma lebre” + “Um pastor de cabras”, o que também sinaliza uma situação genérica, como é típico nas fábulas. 2- “Sua toca”: o pronome possessivo refere-se à casa da lebre. 3 - No lugar de repetir a palavra ”cão”,
foi usado o pronome pessoal por três vezes: 4- Para retomar o substantivo “lebre” foi usada uma expressão semelhante: “Aquele pequeno animal”.
6- A conjunção
”mas” indica um contraste: o cão corria por um jantar
enquanto a lebre corria para salvar sua vida |
Você percebeu que os sentidos do texto são "fios entrelaçados" e não palavras soltas ou frases desconectas? São os elementos coesivos que organizam o texto de forma a constituir também sua coerência.
A coesão textual pode ser feita através de termos que:
A coesão por retomada ou antecipação pode ser feita por : pronomes, verbos, numerais, advérbios, substantivos, adjetivos.
A coesão por encadeamento pode ser feita por conexão ou por justaposição.
1) A coesão por conexão traz elementos que:
a) fazem uma gradação na direção de uma conclusão: "até", "mesmo", "inclusive" etc;
b) argumentam em direção a conclusões opostas: "caso contrário", "ou", "ou então", "quer... quer"; etc;
c) ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão: "e", "também", "ainda", "nem", "não só... mas também" etc;
d) fazem comparação de superioridade, de inferioridade ou igualdade: "mais... do que", "menos... do que", "tanto... quanto", etc
e) justificam ou explicam o que foi dito: "porque", "já que", "que", "pois" etc;
f) introduzem uma conclusão: portanto, logo, por conseguinte, pois, etc;
g) contrapõem argumentos: "mas", "porém", "todavia", "contudo", "entretanto", "no entanto", "embora", "ainda que" etc;
h) indicam uma generalização do que já foi dito: "de fato", "aliás", "realmente", "também" etc;
i) introduzem argumento decisivo: "aliás", "além disso", "ademais", "além de tudo" etc;
j) trazem uma correção ou reforçam o conteúdo do já dito: "ou melhor", "ao contrário", "de fato", "isto é", "quer dizer", "ou seja", etc;
l) trazem uma confirmação ou explicitação: "assim", "dessa maneira", "desse modo", etc;
m) especificam ou exemplificam o que foi dito: "por exemplo", como, etc
2) Os elementos coesivos por justaposição estabelecem a seqüência do texto, ou seja:
a) introduzem o tema ou indicam mudança de assunto: "a propósito", "por falar nisso", "mas voltando ao assunto" etc;
b) marcam a seqüência temporal: "cinco anos depois", "um pouco mais tarde", etc;
c) indicam a ordenação espacial: "à direita", "na frente", "atrás", etc;
d) indicam a ordem dos assuntos do texto: "primeiramente", "a seguir", "finalmente", etc;
Para analisar o papel da coesão na construção dos sentidos de um texto, faça a correlação entre os provérbios e os elementos coesivos respectivos, preenchendo as lacunas, de tal forma que haja coerência entre as duas partes que constituem esse tipo de texto :
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Provérbios |
Elementos
de coesão por conexão |
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Devagar
....... sempre se chega na frente. |
mas |
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Trate
os outros ..... quer ser tratado. |
mais...
do que |
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A
aparência pode ser mudada, ..... a natureza não. |
e |
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Ao
carneiro ......peça lã. |
como |
|
....vale
paciência pequenina ... força de leão. |
somente |
Você percebeu que, nos casos acima, a precisão no uso dos elementos de coesão faz toda a diferença na significação de cada provérbio, não é mesmo?
Para concluir, podemos afirmar que o texto é tanto produto como processo. Ao escrever, o autor planeja seu texto, a partir de sua finalidade, deixando pistas de sua intencionalidade. O leitor, por sua vez, vai perseguindo essas pistas, para poder interpretar o texto. Nesse sentido, a coesão textual - ou pistas lingüísticas - tem uma importante função na produção de todo e qualquer texto.
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