
O mistério de um crime a ser desvendado é um dos modelso mais bem sucedidos de enigma... Leia a seguir um trecho em que aparece o mais famoso detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes que, acompanhado do dr. Watson, está prestes a resolver um grande mistério: o que seriam os uivos apavorantes do cão, que assustava quem vivia no castelo de Baskerville? Quem ou o que matou os herdeiros do Castelo, dando início a uma tradição de maldição?
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O Cão dos Baskervilles
[...] “Onde está ele?”, cochichou Holmes, e eu vi pela expressão de sua voz que ele, o homem de ferro, estava abalado
até a alma. “Onde está ele, Watson?” |
(
Sir Arthur Conan Doyle. "O Cão dos Baskervilles". Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1987)
A narrativa se desenvolve a partir de um crime cometido, e o leitor acompanha todos os procedimentos da investigação, por meio do olhar do narrador. Uma das características da narrativa de enigma é o fato de que a história da investigação é freqüentemente contada por um amigo do detetive, no papel de narrador. Esse, na maioria das vezes, reconhece estar escrevendo um livro e, assim como o leitor, desconhece o que vai acontecer, ao longo da história - o que ajuda a criar o suspense...
Observe também o papel dos advérbios: rapidamente, imediatamente que dão à cena rapidez nas ações de investigação por parte do detetive e seu ajudante.
Analise ainda a escolha de termos que ajudam a criar o suspense: "cochichou Holmes"; "nenhum outro som rompeu o silêncio da noite". Veja que "cochichar" indica que os dois personagens estão em uma situação em que os mínimos gestos são importantes. No uso do verbo "romper" há a idéia de que o silêncio pode ser prenúncio de ataque, de morte, mas nada é forte suficientemente para "romper com o silêncio", para acabar com ele.
O mais famoso dos detetives
O detetive Sherlock Holmes é britânico, culto, um verdadeiro aristocrata, criado por Conan Doyle (1859-1930). Holmes desvenda seus mistérios de maneira sutil e elegante. O detetive, protagonista de aventuras interessantes, chegou a ser tão famoso que muita gente não acredita que seja uma personagem. Seu amigo inseparável, John Watson, é o narrador dos seus casos. Watson é inteligente, mas o mestre o supera de longe, no uso do raciocínio dedutivo.
De modo geral, pode-se dizer que a narrativa de enigma tem um único detetive, uma vítima e um culpado. O culpado não deve ser o detetive, nem alguém muito óbvio para o leitor: a governanta, a camareira, o mordomo. Não há desenvolvimento de romances ou paixões; não há aprofundamento na descrição psicológica, apenas o suficiente para o leitor compreender a mentalidade do criminoso e, principalmente, nada pode ser explicado pelo acaso ou pelo sobrenatural. Tudo deve ser explicado de modo racional.
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