
O bibliófilo [colecionador de livros] José Mindlin formou uma das bibliotecas mais bonitas, extensas e interessantes do Brasil. Ele começou a colecionar livros aos 13 anos. Ele fala sobre sua paixão pelos livros na obra "Uma Vida entre Livros: Reencontros com o Tempo" (São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo/Companhia das Letras, 1997):
| O
amor ao livro e o hábito da leitura vêm de longe e constituem
um dos interesses centrais de minha vida. Esses interesses poderiam ter
sido atendidos sem que tivessem resultado numa biblioteca de proporções
talvez excessivas, se eu me tivesse sempre limitado aos livros que conseguisse
ler, comprando um livro de cada vez, e só comprando o seguinte depois
de ter lido o anterior. Mas não foi o que aconteceu, e não
creio que tenha acontecido a ninguém que eu conheça, e que
realmente goste de livros. O
livro exerce uma atração multiforme, que vai muito além
da leitura, embora esta seja um ponto de partida fundamental. Em primeiro
lugar, existe sempre a ilusão de que se vai conseguir ler mais
do que na realidade se consegue. Depois vem o desejo de ter à mão
o maior número possível de obras de um autor de quem se
gosta – já é o começo de uma coleção.
Conseguido o conjunto, que sempre se quer o mais completo possível,
surge o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras,
e a atração pelo livro como objeto, e também como
objeto de arte, em que entra a qualidade do projeto gráfico, a
ilustração, a diagramação, o papel, a tipografia,
a encadernação; e aí já surge a busca da raridade. |
Entre as informações que aparecem na capa de um livro, estão:
O título do livro é uma informação fundamental. O título indica muito sobre o assunto e também sobre o sentido da obra. Ele é ao mesmo tempo um anúncio e uma síntese da obra.
Quantas páginas tem? Que tipo de letra é utilizada no livro? Qual sua diagramação interna? As letras são grandes ou miúdas? São bonitas, há espaço entre as linhas? Ou as linhas estão apertadas demais?
Agora você já conhece bem o livro. Só falta ler!
Será que o livro - esse objeto tão complexo, um dia vai desaparecer? Será que a tecnologia vai criar um substituto para ler e mudar nossos hábitos de leitura? O autor do texto abaixo acha que sim:
| A atividade humana aumenta, numa progressão pasmosa. Já os homens de hoje são forçados a pensar e a executar, em um minuto, o que os seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relâmpagos no cérebro, e de rufos de febre no sangue. O livro está morrendo, justamente porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de cem páginas impressas sobre o mesmo assunto. |
O autor deste texto é o grande poeta parnasiano Olavo Bilac. Estava preocupado com o fato de que o aparecimento do jornal e a possibilidade de inventarem o cinema pudesse fazer o livro desaparecer. Ele escreveu este texto em 1904 (publicado na "Revista Kosmos"). Faz mais de cem anos! Apesar de ter-se passado tanto tempo, parece que, por enquanto, o livro está bem vivo.
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