
O Brasil tem concerto. |
O texto brinca com as palavras parônimas "conserto" e "concerto", pressupondo que o leitor entenda o jogo de palavras: o Brasil é um país que tem muitos problemas, mas é possível colocá-lo no rumo certo, ou seja, "consertá-lo" (arrumá-lo). Nesse caso, porém, consertar escreve-se com S! Depois, o contexto do anúncio indica tratar-se de uma apresentação de orquestras e músicos de repertório clássico, isto é, de um "concerto" (substantivo abstrato "concerto" = relativo a espetáculos musicais).
O anúncio, assim, chama a atenção do leitor e atinge sua finalidade que é de divulgar/vender o espetáculo.
Mais um exemplo, o de um programa de rádio que se chama "Com certerça".
A chamada do programa causa estranheza. Mas é a combinação de três expressões: concerto, certeza e terça-feira, o dia em que passa o programa.
No primeiro caso, a grafia "panruta" confirmaria a regularidade, como em "honra" (depois de consoante, a letra "r" representa som forte "rr" e não é grafado com "rr"). No segundo caso, "carimã" confirmaria a regularidade com que a vogal nasal é representada na escrita, com o uso do til na posição final; as outras grafias fugiriam da regularidade da nasalidade do sistema de escrita do português.
Aula |
| “Nosso Profe. de latim,
Mestre Aristeu, era magro e do Piauí. Falou que estava cansado de genitivos, dativos, ablativos e doutras desinências. Gostaria agora de escrever um livro. Usaria um idioma de larvas incendiadas. Epa! O profe. falseou-ciciou um colega. Idioma de larvas incendiadas! Mestre Aristeu continuou: quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais. Desfazer o normal há de ser uma norma. (...) |
Manoel
de Barros, "Memórias Inventadas: A Segunda Infância" |
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