
Sabe-se que a escrita surgiu em diferentes lugares, tornando-se um poderoso apoio para a memória humana. Os povos antigos usavam as marcas gráficas inicialmente como uma ferramenta para registro do movimento do comércio, depois como registros de todos os acontecimentos que envolviam a sociedade. Usando materiais diferentes, os textos eram copiados, à mão, um a um. A possibilidade de grafar a informação conferia a durabilidade necessária, para escrever leis, que fixavam costumes e determinavam quem devia obediência a quem.
No século 15, a invenção da imprensa tornou possível a reprodução de livros e o acesso à leitura para um maior número de pessoas do que até então tinha sido possível. A descoberta da impressão se deu graças à invenção de Gutemberg que, ao conseguir uma impressão nítida, possibilitou a reprodução de um mesmo material em um tempo muito rápido, o que teve como conseqüência a produção de milhares de livros em pouco tempo. O surgimento da instituição escola e a alfabetização da massa trabalhadora tornaram possível o acesso à comunicação escrita em larga escala.
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Dois garotos brigavam furiosamente na rua. 2) Um senhor passa por eles e separa a briga: – Você não tem vergonha? Bater num menino bem menor que você, seu covarde! 3) E o menino: – O senhor queria o quê? Que eu ficasse esperando ele crescer? |
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(Ziraldo, “Mais
anedotas do bichinho da maçã”. São Paulo: Melhoramentos,
1993) |
As informações relacionadas às frases 1, 2 e 3, explicam ao leitor o contexto, ou seja, o lugar e a situação em que se dá o fato. Se o leitor presenciasse a cena, essas informações seriam necessárias? Não.
A primeira conseqüência que percebemos do uso da escrita na história é o fato de os indivíduos não precisarem mais estar em comunicação direta para entrar em contato uns com os outros. A segunda é que a escrita instaura um novo modo de comunicação. Na comunicação direta, podemos dizer simplesmente "olá, como vai?", ao encontrarmos um conhecido. Essa frase, sem maiores explicações, tem sentido porque ambos os indivíduos sabem onde estão, quem são um e outro, que tipo de vínculo tem em comum.
Quando lemos um romance, por exemplo, e se o texto nos emociona, ficamos com a impressão de que o autor fala de coisas relacionadas à nossa vida, fala diretamente conosco. O texto que nos fala tão diretamente, porém, foi antes selecionado, revisado, muitas vezes alterado após a produção inicial, porque - entre o autor e o seu leitor - existem os interesses da empresa editora, a avaliação do editor quanto ao interesse do assunto, o cálculo do investimento a ser feito e o cálculo do retorno financeiro para a editora, com as vendas do livro.
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