
Nessa época, o mundo vivia os horrores da Segunda Guerra Mundial, e Drummond, que nunca fora alheio a questões ideológicas ou humanas, aos sofrimentos ou à dor na cidade ou no campo, escreveu nesse livro (ao lado de outros diversos temas) sua indignação e tristeza melancólica com o mundo, com a violência e com a necessidade de se ter uma ideoloogia.
Todas essas questões, é claro, intervieram nas criações. E, em muitos de seus poemas deste livro, Drummond confessa a impotência da poesia só para criar beleza. Havia um inconformismo dos artistas com a crueldade que se via no mundo era geral, e uma pergunta que o mineiro Drummond nunca deixou de se fazer: para que serve a poesia?
No poema "Carta a Stalingrado", (cidade em que os soviéticos vencem os alemães) diz Drummond que a poesia foi parar nos jornais:
| “Stalingrado... Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades! O mundo não acabou, pois que entre as ruínas Outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora E o halito selvagem da liberdade dilata seus os peitos(...) A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais. Os telegramas de Moscou repetem Homero.” |
E essa poesia urbana, de um poeta "antenado" deve sair modernista, ou seja, sem que nenhuma tradição a atrapalhe, sem rimas, sem estrofes, sem o cheiro do que é antigo. A força da "palavra poética" (apesar da dúvida sobre sua utililidade) é um dos temas mais caros ao poeta. No primeiro (e mais famoso) poema do livro, "Consideração do poema", o poeta diz:
| “Não
rimarei a palavra sono Com a incorrespondente palavra outono. Rimarei com a palavra carne Ou qualquer outra, que todas me convêm. As palavras não nascem amarradas, Elas saltam, se beijam, se dissolvem, No céu livre por vezes um desenho, São puras, largas, autênticas, indevassáveis. Uma pedra no meio do caminho |
| “Não
faça versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, Não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. (...)” |
Ou então, vejamos como o poeta vê a si mesmo no cotidiano da cidade, em outro famoso poema: "A flor e a náusea":
| “Preso
à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me? (...)” |
| “Um
sabiá Na palmeira, longe. Estas aves cantam Outro canto.”(...) |
O fato é que o poeta, que desde o início de sua poesia dizia "Vai Carlos, se gauche na vida!"(Poema de sete faces, 1922) continua, aos quarenta anos, a sentir-se sozinho, como homem, como poeta. Ele nos diz no poema "América":
| “Sou
apenas um homem. Um homem pequenino à beira de um rio. Vejo as águar que passam e não as compreendo. Sei apenas que é noite porque me chamam de casa.”(...) |
E como é grande a saudade dos amigos, que CDA sempre celebrou em tantos poemas. Em 1945 morre o grande amigo Mário de Andrade. Drummond lhe dedica o longo poema "Mário de Andrade desce aos infernos", que começa desta maneira:
| “Daqui
a vinte anos farei teu poema e te cantarei com tal suspiro que as flores pasmarão, e as abelha, confundidas, esvairão seu mel. Daqui a vinte anos: poderei Tanto esperar o preço da poesia?”(...) |
Dos poemas de "A Rosa do Povo" não se pode deixar de ler os que aqui estão assinalados e mais alguns, como "O Medo", "Áporo", "Anúncio da Rosa" "Resíduo", "O Elefante" "Carta ao Homem do Povo Charles Chaplin e o famoso "Morte do Leiteiro".
O fato é que o uma flor sempre nasce, e vai aqui o que para ela deseja o poeta:
| Uma
flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada Ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, Garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. (...) É feia. Mas é realmente uma flor. |
|
A
Flor e a Náusea |
Redações avaliadas por uma equipe especializada em correção de prova de vestibular e Enem