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Signo

Conceito básico da linguagem

Suely Aparecida Amaral*
Especial para a Página 3 - Pedagogia e Comunicação
Vivemos em um mundo onde existem plantas, árvores, rochas, montanhas, rios, lagos, casas, edifícios, aviões, enfim, uma imensa quantidade de coisas. Boa parte desses objetos foram feitos pela natureza e muitos deles já existiam antes que o homem aparecesse na face da Terra. Outros, porém, foram criados pelos seres humanos e, nesse sentido, pode-se estabelecer uma distinção entre as coisas naturais e as culturais - aquelas criadas pela inteligência de nossa espécie.

O modo como entendemos e interpretamos esses dois mundos está diretamente relacionado aos signos que criamos para nos referir a eles - signos que, também eles, enquadram-se na categoria das coisas culturais.

Observe as imagens:



Reprodução
O Nascimento da Vênus, de Botticelli




Reprodução
Logotipo da Shell


Na primeira imagem, o objeto concha deve ser compreendido como símbolo da fecundidade, pois dele brota a figura da Vênus. Na segunda, por outro lado, ela é o símbolo de uma empresa. Em ambos os casos, a imagem da concha não remete à coisa que chamamos de concha no sentido literal, estrito, mas a um conjunto de significados relacionados a dois momentos distintos da história ocidental, o século 15 e o século 20. Nos dois casos, portanto, ela é um signo.

O signo é um objeto material que representa outro, isto é, está no lugar de outro, diferente dele mesmo. Veja outro exemplo:

CONCHA


No lugar do objeto real, está um conjunto de sinais gráficos, as letras, que pode ser decifrado por quem conheça o código, no caso a língua portuguesa. A linguagem é de natureza simbólica. Quando uma pessoa fala, escreve, desenha, pinta, compõe uma música está usando um conjunto de sinais - sons, letras, traços, cores - para expressar alguma coisa.

Quando compreendemos uma conversa, analisamos um desenho, observamos uma fotografia estamos decifrando códigos, que são do nosso conhecimento. Podemos dizer, então, que a linguagem designa a faculdade de que os humanos dispõem para se compreenderem por meio de signos.

Observe o quadro abaixo:



Reprodução
"Isso não é um cachimbo", de Magritte


Por que será que o autor deu esse título à sua obra? Talvez, ele tenha querido mostrar que tendemos a considerar os signos como se fossem o objeto real, não é mesmo?

Todo sistema de comunicação é constituído por um código, que permite a troca de informações. Um código é formado por um conjunto de sinais, organizado de acordo com determinadas regras e em que cada um dos elementos tem significado em relação aos demais. Assim, para haver comunicação é preciso existir o conhecimento de um código pelas duas partes envolvidas na situação comunicativa: quem envia a informação e quem a recebe.

Veja também


*Suely Amaral é professora universitária, consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua, linguagem e leitura.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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