Verbos impessoais
Como fazer a concordância?
Jorge Viana de Moraes*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Os verbos impessoais estarão sempre na 3ª pessoa do singular:
1. HAVER sem sujeito, isto é, impessoal, é frequentemente empregado com sentido de:
a) Existir, ocorrer. Nesse caso, "haver" deve ser empregado sempre na terceira pessoa do singular. Portanto, como se frisa, não tem plural, seja no presente, no passado ou no futuro. Exemplos:
Há problemas.
Houve muitos alunos.
Houve alguns episódios estranhos.
Haverá novidades.
Nas outras casas do bairro havia a mesma preocupação.
A escolha seria mais fácil se não houvesse tantos filmes bons (Odilon S. Leme, Tirando dúvidas de português, p. 30)
Dá-se o mesmo nas locuções verbais em que o verbo "haver" figura com o sentido de "existir/ ocorrer". Seu auxiliar, o primeiro verbo da locução, ficará na terceira pessoa do singular. Exemplos:
Vai haver prosperidade no planeta se não houver paz?
Há de haver outras saídas.
Poderia haver novas oportunidades para os reprovados no exame.
Costumava haver baile toda sexta-feira no clube da cidade.
Tem havido sérios problemas de congestionamento em São Paulo.
O verbo haver é também impessoal nas seguintes acepções:
b) Passar-se, ter ocorrido. Exemplos:
"Havia oito ou nove anos que não nos víamos." (M. Assis),
Há cem anos expirava Machado de Assis. (Se usar o verbo haver, torna-se redundante dizer atrás. Deve-se, então, optar por um ou outro. Ex.: Cem anos atrás expirava Machado de Assis.)
c) Ser possível. Embora rara, esta forma existe. Exemplo:
"Não há contê-lo, então, no ímpeto." (Euclides da Cunha apud Hidelbrando André, Gramática Ilustrada, p. 378).
2. FAZER - quando empregado no sentido de tempo transcorrido ou quando se refere a fenômenos atmosféricos, permanece na terceira pessoa do singular. Exemplos:
Faz um ano que ele chegou.
Fez cinco anos que casei.
Faz frio em São Paulo.
Faz belas manhãs naquela ilha.
3. Verbos que indicam fenômenos meteorológicos permanecem na terceira pessoa do singular. Exemplos:
Choveu bastante nesses últimos dias.
Relampejou horas durante a tempestade.
Exceções:
Choveram aplausos; choveram papéis picados no Natal. (Quando empregados em sentido figurado).
4. SER - quando impessoal, é empregado para se referir a fenômenos atmosféricos ou para indicar horas e/ ou datas. Nesses casos, o complemento concorda com o que se anexa a ele para expressar o fenômeno ou o tempo. Tal concordância é obrigatória, afora o caso das datas, em que é facultativa se a palavra "dia" não está expressa. Exemplos:
É meio-dia e meia. (de meia hora e não meio)
É uma hora.
São duas horas.
Hoje é 20 de junho.
Hoje são 20 de junho.
Hoje é dia vinte de junho.
*Jorge Viana de Moraes é mestre em Letras pela Universidade de São Paulo. Atua como professor em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras.
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