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Assim, este "Dicionário" pretende oferecer a leitores não-especialistas, aos homens cultos e aos estudantes de ensino médio e nível superior, aos que ouvem conferências e discursos ou participam de debates e comícios, uma explicação e uma interpretação simples e abrangente dos principais conceitos que fazem parte do universo do discurso político. Para isso expõe-se sua evolução histórica, analisa-se sua situação atual e fazem-se referências aos conceitos afins, indicando os autores e obras a eles diretamente ligados.
Como o universo da linguagem política não é fechado, mas se comunica a outros contíguos, como o da economia, da sociologia e do direito, o "Dicionário" inclui palavras do vocabulário econômico, como "capitalismo", sociológico, como "classe", ou jurídico, como "codificação". Apesar de antiga, a ciência política não alcançou ainda uma autonomia completa e tem de contar com a contribuição de historiadores, sociólogos, economistas e juristas. Mas isso, na verdade, só enriquece o empreendimento de Bobbio, Mateucci e Pasquino.
Além disso, os organizadores alertam para o fato de a linguagem política não ser ideologicamente neutra. Cada palavra pode ser usada como base na orientação política do usuário para gerar reações emocionais, para obter aprovação ou desaprovação de certo comportamento, para provocar consenso ou dissenso. Por isso, a obra opta pela descrição dos diversos significados ideológicos em que um termo é usado, em vez de dar preferência a um deles.
Em síntese, trata-se de dois volumes de iniciação à ciência política imprescindíveis para todos que pretendem conhecê-la e refletir sobre ela. Mais do que isso, em nosso contexto específico, é uma obra de referência que, sem esquecer o caráter passional da luta política, o qual impede uma objetividade impassível no tratamento dos conceitos, não se deixa pautar pelo panfletarismo que subjaz aos textos "pedagógicos" da maioria de nossos acadêmicos ou dos autores de livros didáticos.
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