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No Brasil de hoje, em especial nos livros didáticos, é comum vermos a sociologia se impor sobre a história, transformando-a numa interpretação, em geral determinista, de mecânicas sociais. A história não se resume a isso, ela também é narrativa e drama, o que Winston Churchill, um grande escritor, sabe mostrar muito bem.
Em segundo lugar, evidentemente, o autor é um observador privilegiado da história que narra, tendo sido - na posição de Primeiro-ministro britânico - um dos principais protagonistas dos fatos, que, em inúmeros episódios, conhece a partir dos bastidores.
Como o iluminista Edward Gibbon, em seu "Declínio e Queda do Império Romano", ao qual costuma ser comparado, Churchill se revela um historiador competente e abrangente que sabe transitar desde os elementos macro-políticos até os episódios particulares (como a desmontagem de uma mina magnética por três especialistas em explosivos).
Vale destacar que o autor se desloca particularmente entre os campos da história política e da história militar, compondo uma narrativa que - não só pelo próprio tema - envolve o leitor como uma verdadeira epopéia.
Nesse sentido épico e literário, não seria impróprio estabelecer uma comparação entre o lorde inglês e o brasileiro Euclides da Cunha, quando este narra a campanha de Canudos, em A Luta, a terceira parte de "Os Sertões". Ambos revelam uma extraordinária capacidade de evocação, capaz de colocar os fatos narrados diante dos olhos do leitor.
Também é importante destacar o fato de Churchill desfazer o mito muito propagado pelos historiadores socialistas de que as democracias ocidentais fecharam os olhos para o avanço belicista da Alemanha de Hitler, por considerarem-no útil para conter a revolução bolchevique na URSS.
A questão é bem mais complexa e para apresentá-la em seus mais variados aspectos talvez só mesmo alguém como Churchill - que lutou sozinho por um bom tempo contra a transigência do governo e da opinião pública de seu país no que se refere ao rearmamentismo da Alemanha nazista.
Churchill também apresenta em sua complexidade o desempenho da Itália de Mussolini, antes de entrar na guerra, evitando as relações simplistas que se costumam estabelecer entre fascismo e nazismo.
Se tudo isso não bastasse, a obra é o testemunho da atuação de um chefe de governo, democrático e liberal, que se vê diante de administrar uma situação-limite como uma guerra daquelas proporções. Churchill não deixa de olhar para si mesmo, analisando suas escolhas e decisões.
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