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Mas o melhor do livro é a carona que pegamos em uma excursão pelo misterioso mundo dos cientistas, que, conforme Fisher nos mostra, é o mesmo mundinho cotidiano de todos nós, só que observado e descrito com uma dose maior de método e um tipo peculiar de paixão.
Se não é surpresa para ninguém que cientistas são metódicos, é muito divertido o modo como Fisher deixa claro o quanto eles podem ser apaixonados por seu ofício de entender como o mundo funciona.
Para estes cientistas, pelo menos para o autor e seus amigos, entender o funcionamento do mundo inclui fazer o mapeamento térmico de um assado, tentando preencher a lacuna de conhecimento manifesta no fato de conhecermos melhor o perfil de temperaturas da atmosfera de Vênus do que o existente no interior de um suflê, como lamenta no início do primeiro capítulo, que busca o modo científico para se obter o ovo quente perfeito, com direito a citações de James Bond, tido como expert também nisto.
Por que os bumerangues tendem a retornar ao ponto de onde foram lançados, como otimizar o processo de impregnação das rosquinhas pelo café onde são mergulhadas ou como somar contas de supermercado, melhor e mais rápido que sua mulher e de quebra, entre um parágrafo e outro, noções de aerodinâmica, princípio da capilaridade e estatística.
Estes assuntos são tratados no livro como temas para aprendizado e diversão de qualquer um que nunca parou para se perguntar estas coisas. Aí entendemos um pouco melhor os cientistas, que afinal, são pessoas que param para se perguntar estas coisas.
E não descansam até obter uma resposta satisfatória, testada e confirmada pelos resultados, como nos mostra o incansável Fisher enquanto destrincha os princípios da física que explicam o funcionamento de um prosaico martelo de unha quando remove um prego encravado na madeira.
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