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Afinal, os textos desses autores apresentam, em geral, questionamentos bem-humorados sobre nossa sizuda gramática ou registram certos recursos da linguagem coloquial-popular que dão o colorido intenso do português falado no Brasil.
São textos que podem tornar seus leitores "mais íntimos de nossa língua, mais familiarizados com seus recantos, mais sensíveis aos sotaques das diferentes tribos que dela se valem", nas palavras da crítica literária Marisa Lajolo, que assina o prefácio.
Com sua tradicional "pena da galhofa", por exemplo, Machado de Assis reflete sobre uma proposta para acabar com os galicismos. Artur Azevedo, em seu famoso "Plebiscito", cria uma ágil sitcom com a ignorância vocabular de um pai de família. Paulo Leminski faz piruetas com a ambigüidade da linguagem, ao rememorar seu professor de análise sintática.
A agilidade da coletânea, bem como sua qualidade, contudo, não dependem exclusivamente dos autores consagrados, como Raquel de Queiroz, Moacyr Scliar, Luís Fernando Veríssimo e Ivan Ângelo, além dos três já mencionados. Nomes de autores mais novos, muitos até despretensiosos, também surpreendem, como Rosana Hermann que trata de uma nova linguagem, num conto que é um verdadeiro achado, aliás, como seu título: "A menina que falava internetês".
Mas os autores são muitos, porque os textos são breves, e - tirando os "medalhões" - seria injusto deter o foco somente sobre alguns deles, bem como impraticável mencioná-los um a um.
Portanto, melhor concluir, dizendo que "Lições de Gramática para Quem Gosta de Literatura" é um livro paradidático inteligente, que escapa ao oportunismo do que tem sido publicado recentemente no gênero, e que pode render aulas e atividades proveitosas e gratificantes não só para o educando como também para o educador.
Lições de Gramática para Quem Gosta de Literatura
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