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Sherlock Moreira

Uma paródia dos romances policiais dirigida a pré-adolescentes

Heidi Strecker*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação


Reprodução
Em que "Sherlock Moreira" se diferencia de outros livros de aventura escritos especialmente para o público infanto-juvenil? Em primeiro lugar, pelo caráter particular de seu narrador que adota o tom irônico característico dos narradores de romances noir, porém devidamente adaptado para a idade deste narrador: 13 anos.

É esse o elemento que confere bom humor à narrativa e deixa claro que ela é, ao mesmo tempo, um romance noir para jovens e uma paródia desse mesmo gênero literário. O caráter paródico, por sinal, já se encontra desde o título. Olivieri alude simultaneamente ao célebre detetive de Arthur Conan Doyle e ao cantor Moreira da Silva, famoso por interpretações dos sambas de Miguel Gustavo, em que se parodiavam os filmes norte-americanos de cowboys e gangsters.

Em paralelo a este veio humorístico, a narrativa apresenta sutilmente uma série de temas sérios e atuais da realidade brasileira: seqüestros, violência urbana, preconceito social e a pasteurização dos gêneros musicais populares, como o pagode e a música sertaneja. Assim, além de excelente entretenimento, a obra pode ser o ponto de partida para reflexões e debates em sala de aula.

O enredo propriamente dito não traz grandes novidades, uma vez que desenvolve, em forma de paródia, situações típicas do gênero que põe em foco: o romance policial. Desafiado por um colega e rival nas atenções da menina que ama, o jovem protagonista resolve investigar o seqüestro da mãe de um integrante de um grupo musical.

Naturalmente, ele consegue desvendar o mistério, mas por meios nada ortodoxos e contando com o auxílio da polícia, na hora de enfrentar os bandidos de verdade. De qualquer modo, há situações bastante engenhosas, quase inusitadas, como o fato de o detetive-mirim ir obter informações sobre a vítima do seqüestro, escutando às escondidas as fofocas trocadas pelas clientes de um salão de cabelereiro, ou ainda interrogando um camelô cego, que "enxerga" perfeitamente com os ouvidos.

Por tudo isso, o livro recebeu a menção "Altamente recomendável" da Fundação Nacional para o Livro Infantil e Juvenil e tem sido bem recebido por alunos e professores que o adotam em escolas da rede pública e privada de todo o Brasil. "Sherlock Moreira" é uma leitura voltada para um público específico, situado na faixa dos 11 aos 13 anos.


Sherlock Moreira

Antonio Carlos Olivieri

Cia. das Letras

103 págs.


*Heidi Strecker é filósofa e educadora.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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