As
greves organizadas pelos trabalhadores, além de reivindicarem melhores condições de trabalho e se tornarem um instrumento político, também se converteram em temas de pesquisas sociológicas. As relações entre as bases (os trabalhadores) e os sindicatos (que representam a direção dos movimentos trabalhistas) ganharam destaque nos estudos dos cientistas sociais.
Como se sabe, os movimentos grevistas têm basicamente dois alvos principais: o empresariado e/ou os poderes públicos (Estado e Governo). Com a sindicalização dos trabalhadores, os movimentos trabalhistas adquiriam grande força política, e por meio das greves desempenham um influente e importante papel no processo de decisão governamental ao apoiar ou não determinados programas políticos.
Por outro lado, as greves dirigidas contra os empresários podem ser diferenciadas como "greves instrumentais", que se destinam a impor ao patronato as reivindicações trabalhistas; e "greves simbólicas", que se destinam a fortalecer a adesão dos trabalhadores junto aos dirigentes sindicais.
Mas há também que considerar os conflitos que emergem dentro do próprio movimento dos trabalhadores que fazem com que as relações entre as bases e os dirigentes sindicais nem sempre sejam harmoniosas. Surgem desses conflitos as chamadas "greves de protesto" que são movimentos que se voltam contra os dirigentes sindicais que nem sempre representam os interesses dos trabalhadores.
Conflitos deste tipo foram muito presenciados durante o período da
ditadura militar no Brasil devido, sobretudo, ao controle estatal sobre os sindicatos. Naquele contexto, os dirigentes sindicais que mantinham boas relações com os poderes públicos e os patrões eram apelidados de "pelegos" e tentavam a todo custo bloquear a deflagração de greves.
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