Tomando por referência o conceito de
revolução construído por Sckopol, podemos facilmente distinguir um movimento revolucionário de um movimento golpista. O
golpe de Estado está limitado a uma ação que permanece restrita à esfera política.
Um movimento golpista consiste na tomada do poder sem pretensões de subverter a estrutura e os valores da ordem social vigente. Ou seja, é uma tentativa de substituição das autoridades políticas existentes, sem maiores pretensões de realizar mudanças profundas nas relações políticas, sociais e econômicas. Há que se notar também outra característica importante: os movimentos golpistas de modo geral são realizados por grupos ou setores sociais que integram a elite dominante da sociedade.
Quando bem-sucedidos, os movimentos golpistas procuram a todo custo caracterizar o movimento de tomada do poder como um ato revolucionário. Isso ocorre porque, de modo geral, um movimento revolucionário tem um forte efeito simbólico e ideológico para o conjunto da sociedade. Um golpe de Estado, ao contrário, além de ser uma iniciativa de poucos indivíduos, é considerado uma ilegalidade.
Vontade do povo
Um movimento revolucionário é um movimento coletivo e, portanto, é a expressão da vontade do povo. Essas considerações lançam luz sobre a existência de diferentes interpretações para a tomada do poder pelos
militares brasileiros em 1964.
Os militares e as elites que apoiaram a destituição do então presidente
João Goulart denominam o episódio de várias maneiras: Revolução de 1964, Revolução Redentora ou ainda Revolução de Abril. Contudo, não há dúvidas de que o episódio foi um golpe de caráter pretoriano, isto é, liderado por militares que governaram visando assegurar os interesses das classes dominantes do país.
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