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Sociologia

Comunismo - Idade Moderna

Thomas More e Campanella

Renato Cancian*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Data dos séculos 16 e 17 o surgimento de concepções comunistas consideradas modernas. O contexto histórico é de progressivo declínio do modo de produção feudal e de ascensão da burguesia e do capitalismo. O filósofo inglês Thomas More (1478-1535) é considerado o expoente da primeira grande utopia comunista moderna.

Tendo como referência as mudanças sociais que ocorriam na Inglaterra do seu tempo, More escreveu, em 1516, o livro intitulado "Utopia", onde defendeu a abolição da propriedade privada e a subordinação dos interesses individuais aos interesses coletivos como base da convivência harmônica entre os homens. Segundo ele, essa seria a única maneira de se alcançar a prosperidade e o progresso social.

Em "Utopia", More concebe uma "sociedade perfeita", onde todos os homens adultos deveriam ter a oportunidade e o direito a um trabalho digno, cuja jornada não deveria ultrapassar seis horas diárias. Nessa sociedade, toda a riqueza produzida seria permanentemente socializada, ou seja, dividida em comum e não haveria direito de posse e aquisição de qualquer propriedade ou bem material.

Tommaso Campanella

A premissa de que as injustiças e as desigualdades sociais são provocadas pelo modo de produção capitalista e pelos valores sociais burgueses também é o centro do pensamento do monge e filósofo italiano Tommaso Campanella (1568-1639).

Em seu livro intitulado "Cidade do Sol" (publicado postumamente, em 1643), Campanella concebe uma "ilha" que serve como metáfora de uma sociedade ideal organizada em moldes comunistas. Nela, não há homens ociosos (ou seja, sem trabalho) e a jornada de trabalho deve ser apenas de quatro horas diárias, consideradas suficientes para satisfazer as necessidades coletivas.

A produção e distribuição dos bens são geridas pelas autoridades estatais. Campanella segue os ideais platônicos, ao defender a abolição do núcleo familiar e a inexistência de laços matrimoniais permanentes, bem como a entrega de todas as crianças nascidas nesta sociedade ao Estado, que se encarregará da criação e educação delas.

Comunismo e revolução

Ideais comunistas também apareceram no seio de movimentos revolucionários. Entre os mais importantes estão os dos "levellers" (ou niveladores) e dos "cavadores", que foram dois grupos revolucionários radicais que surgiram por volta da segunda metade do século 17 no contexto da guerra civil inglesa.

Ambos eram defensores de alguns ideais comunistas, mas enquanto os levellers propugnavam apenas mudanças políticas (como o sufrágio universal masculino, a tolerância religiosa, parlamentarismo republicano, entre outras), os cavadores defendiam mudanças sociais e econômicas mais gerais, como o fim da propriedade privada, principalmente a propriedade fundiária (ou seja, a posse de grandes extensões de terra, considerada na época a fonte de todos os males e injustiças sociais).

Esse grupo foi assim denominado porque, durante um ano, eles cultivaram (daí o nome cavador) um terreno público, e tudo o que foi plantado e colhido posteriormente foi distribuído aos pobres.

*Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política - 1972-1985".
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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