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28/09/2007 - 09h22

Educação põe Brasil entre últimos em ranking mundial de talentos



Gargalos na educação devem reduzir o potencial brasileiro de produzir ou atrair profissionais talentosos nos próximos cinco anos. Essa é a conclusão de um novo indicador elaborado pelas consultorias EIU (Economist Intelligence Unit ), de Londres, e Heidrick & Struggles, de Chicago, nos Estados Unidos.

Da 23ª posição em 2007, o país deve cair para a 25ª em 2012, em um ranking de 30 países escolhidos a dedo pelas duas firmas com base em sua representatividade regional e disponibilidade de indicadores.

O chamado IGT (Índice Global de Talentos) mede a capacidade de um país de formar ou atrair jovens talentosos e criativos em relação a outros países, em um mundo onde a globalização tornou mais fácil a mobilidade dos profissionais qualificados.

Baixo desempenho
Dados da Unesco manuseados pelas consultorias apontam que o Brasil tem uma relação ainda baixa de professores para alunos no ensino secundário - 22, contra, por exemplo, 10 da Itália e 14 dos Estados Unidos e do Canadá.

"Não é que a situação vá piorar no Brasil nos próximos anos, apenas não se desenvolverá de maneira tão rápida quanto em outros países", explicou, por meio de sua assessoria de imprensa em Londres, a Economist Intelligence Unit.

Na América Latina, a Argentina e o México também foram escolhidos, e ambos tiveram desempenho melhor que o brasileiro.

A Argentina ficou na 17ª posição e o México, na 21ª. Daqui a cinco anos, devem trocar de lugar com os mexicanos, subindo para a 19ª, e a Argentina caindo para a 21ª, projetaram os consultores.

Os países foram medidos em sete critérios: qualidade da educação obrigatória das universidades de negócios, dos incentivos para jovens talentosos, mobilidade e abertura do mercado de trabalho, crescimento demográfico, propensão a atrair investimentos externos e a atrair novos talentos.

Os Estados Unidos, primeiros no ranking, devem manter sua posição como o país que mais forma ou atrai talentos em 2012, seguido pela Grã-Bretanha, que deve superar a Holanda como o país europeu mais bem posicionado na lista.

Entretanto, os pesquisadores alertaram que os Estados Unidos pós-11 de Setembro se tornaram um país muito mais fechado no quesito mercado de trabalho, o que pode reduzir seu apelo para jovens talentosos no futuro.

Na direção oposta, economias de crescimento acelerado e com possibilidades de atração de investimentos externos oferecem melhor prospectos de ganhos - um imã para os profissionais talentosos.

O presidente da Heidrick & Struggles, Kevin Kelly, afirmou que a pesquisa confirma a percepção geral de que profissionais talentosos, criativos e ambiciosos "vão aonde está o dinheiro".

À frente do Brasil
Razões macroeconômicas foram apontadas pela Economist Intelligence Unit para colocar o México e a Argentina à frente do Brasil. Em 2012, África do Sul e Egito - que hoje estão atrás do Brasil no ranking - devem ultrapassar o país. As cinco últimas posições continuariam sendo da Turquia, Nigéria, Arábia Saudita, Indonésia e Irã.

"Mas a diferença de um país para outro é muito pequena", disse a porta-voz do levantamento. "Uma mudança no desempenho do Brasil poderia levar o país à frente de outros emergentes." No mundo emergente, o destaque será da China, que nos próximos cinco anos deve subir da 8ª para a 6ª posição no ranking de atração de talentos.

Os pesquisadores acreditam que o país vai tirar vantagem de sua enorme disponibilidade de mão-de-obra e apostar na melhora da educação e na capacidade de atração de investimentos.

Já a Índia deve permanecer na 10ª posição, graças ao crescimento populacional, mobilidade da força de trabalho e flexibilidade trabalhista.

Nas projeções das consultorias, a Rússia deve perder atratividade e despencar da lista dos dez primeiros - da atual 6ª posição, o país deve figurar na 11ª em 2012, estimaram as consultorias.

As conclusões levaram os autores do estudo a dizer que, em termos de talento, os chamados BRIC (iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China) se resumem a "IC".

"Até agora, as companhias conseguiram perceber que países atraíam ou desenvolviam talentos de maneira mais efetiva, mas faltavam dados objetivos para apoiar suas impressões", disse Kevin Kelly.

"Se talento é o petróleo do nosso futuro, precisamos identificar os campos, identificar as reservas e saber a capacidade de transporte dos canos. O índice global de talentos vai nos permitir fazer isso."
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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