O que você acha do boicote ao Enade?"Nota zero pro Enade. Boicote já! Por uma avaliação de verdade".
Essa é a frase que estampou provas de alunos que optaram por não responder a quarta edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, aplicado neste domingo (11) para
258.342 universitários de todo o país. Os estudantes que participaram do boicote em São Paulo consideraram o exame ineficaz para avaliar o ensino superior brasileiro.
O Inep ainda não divulgou um balanço com o número de estudantes ausentes nas provas deste domingo. Os números oficiais serão divulgados no final da tarde.
 Adesivo do protesto: "Boicote Já! Por uma avaliação melhor! Nota zero pro Enade!" |
 Érika Rodrigues, estudante da USP, tenta convencer alunos a adeir o boicote |
 Ricardo Costa, da USP, diz que Enade não é válido para avaliar um curso superior |
Uma hora antes do início do exame, às 13h, um grupo de alunos da USP (Universidade de São Paulo) se reuniu em frente a uma escola na Zona Oeste de São Paulo para protestar contra a avaliação. Eles entregaram aos convocados um adesivo com a frase de protesto e recomendaram que entrassem nas salas, assinassem as provas e, em vez de responderem as questões, apenas colassem no exame o adesivo recebido na entrada.
"No Enade, os alunos são avaliados, mas os professores e as universidades, não", disse a estudante de Nutrição da USP Érika Rodrigues, 20, que liderava a campanha. Ela se recusou a entrar na sala de aula para continuar a panfletagem.
O aluno de Esporte da USP Ricardo Costa, 21, disse que não vê efeito na prova. "Nenhum aluno acha essa prova válida. Os selecionados só fazem porque são obrigados e querem pegar o diploma".
Quem é convocado e não comparece ao exame, fica sem receber diploma reconhecido pelo MEC.
Giovanna de Almeida, 23, assinou a prova, colou o adesivo e saiu da sala em menos de meia hora do início. A estudante de Publicidade na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, qualificou a prova como "ridícula". "Parece o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O MEC que me desculpe, mas sou mais inteligente do que as pessoas que elaboram essas questões".
João Ajaj, 22, que faz Comunicação Social na ESPM-SP, saiu da sala às 13h30. "Só vi que a prova era colorida. Não faz sentido responder algo assim, tão fora da realidade do meu curso. Já perdi a manhã do domingo com essa bobagem", disse.
Após ter perdido a prova no ano passado, Milena Bizzarri, 26, estudante de Jornalismo na Unip (Universidade Paulista), teve de comparecer à avaliação deste ano para não ficar sem o diploma. Ela entrou na sala às 13h e saiu às 13h45. "As perguntas são de nível infantil. Não vim para boicotar. Reservei meu domingo para fazer a prova, mas comecei a ler e parei. Parece brincadeira do MEC querer avaliar um curso perguntando sobre um desenho", disse.
Cursos avaliadosNeste ano, o Enade avalia cursos das mesmas áreas examinadas em 2004 -- agronomia, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, terapia ocupacional e zootecnia --, além dos cursos de biomedicina, tecnologia em radiologia e tecnologia em agroindústria. Esta é a primeira vez que cursos de tecnologia são avaliados pelo Enade.
A prova tem 40 questões, sendo dez de avaliação da formação geral, comuns a todos os cursos, e 30 questões específicas para cada área. Nas duas partes, as questões são discursivas e de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de casos. O estudante deve preencher também um questionário de impressões sobre a prova.
Segundo o MEC, o Enade é composto por questões de baixa, média e alta complexidades, contemplando diversos momentos da vida acadêmica. Dilvo Ristoff, diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), disse à Agência Estado que a percepção dos alunos quanto à avaliação do Enade é "equivocada". "O Inep tem feito cerca de 20 avaliações in loco de cursos e instituições por dia", afirma.
O Enade faz parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e seu objetivo não é dar nota ao aluno, mas avaliar a qualidade do ensino que está sendo oferecido a ele.
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