03/03/2008 - 09h24
Exame para supletivo tem forte abstenção em São Paulo
Da redação
São Paulo - Em busca da chance de recuperar o tempo perdido, candidatos aos cursos supletivos promovidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo prestaram exame de seleção no domingo (2). Surpreendeu o número de faltantes, que chegou a 67% do total de inscritos na Escola Estadual Silva Jardim, no Tucuruvi, zona norte de São Paulo.
Em todo o Estado, 254 mil pessoas se inscreveram para completar o ensino fundamental e médio. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, a Fundação Vunesp divulgará o índice de abstenção nesta segunda (3). Foram aplicadas três provas, uma para cada grupo de disciplinas.
Na Silva Jardim, 667 se candidataram para cursar língua portuguesa, inglês e educação artística, mas apenas 220 compareceram. Para ciências e matemática foram 632 inscritos e 205 presentes. Em história e geografia, de 671 interessados apenas 218 fizeram a prova.
Para o diretor da escola, Eraldo Sampaio, coordenador do concurso no prédio, pode ter havido dificuldades na hora da inscrição para as provas. "São pessoas muito simples, sem acesso ao computador, que podem ter cometido erros quando se candidataram." As inscrições, gratuitas, foram feitas em 2007 pela Internet e em escolas estaduais.
Sampaio diz que há dois anos observa o aumento no número de ausências, mas se surpreendeu com esse concurso. "Ficamos chateados, pois é muito material, pago com dinheiro público, jogado fora", lamenta referindo-se às pilhas de provas e folhas de respostas de candidatos faltantes.
"Medo e vergonha"
A Silva Jardim oferece supletivo no turno da noite para 640 alunos, em 16 turmas. "É um trabalho muito gratificante", conta Sampaio. "Tem gente de até 60 anos voltando a estudar. Isso é sede de aprender."
É o que sente a costureira Laura Barreto Vieira, 55, que completou em 2003 a 8ª série em um curso supletivo e agora quer ingressar no ensino médio. É a forma que encontrou para dar fim ao vaivém de seu histórico escolar. Laura começou o colégio na Bahia, mas mudou para São Paulo com 8 anos de idade, onde estudou por dois anos.
Voltou para o Nordeste e, com 17 anos, tomou o rumo da capital paulista mais uma vez. Foi quando se afastou da escola para se dedicar ao trabalho. "O arrependimento é muito, porque eu trabalhava perto de um colégio. Podia ter continuado os estudos", conta Laura. "Eu sentia medo e vergonha de ir à escola. Não tinha quem me incentivasse."
A costureira planeja fazer um curso de enfermagem depois de concluir o ensino médio. "Quero ser voluntária em hospitais e orfanatos quando me aposentar, para ajudar as pessoas que eu ainda não tive tempo de ajudar."
Apesar de ter achado as provas de matemática e ciências "muito difíceis", Laura está confiante no resultado do concurso. "Estudei um pouco nos intervalos do trabalho", conta. "Tenho fé que vai dar certo."
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