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06/03/2008 - 15h14

Escritores dão argumentos pró e contra a reforma da ortografia

Mariana Tramontina
Em São Paulo
Espalhada entre mais de 230 milhões de pessoas em oito países, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a língua portuguesa está entre as cinco mais faladas do mundo.

Essa é a premissa usada para cada uma das quatro reformas ortográficas sofridas pela língua ao longo do século 20. É também uma das justificativas para o novo acordo ortográfico entre os oito países que compõem a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa): Brasil, Portugal, Timor Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Nesta quinta-feira (6), Portugal aprovou o acordo ortográfico. A decisão ainda depende do aval do Legislativo.

Ministro da Presidência disse que o país precisará de seis anos para implantar toda a reforma, que ainda não tem data para entrar em vigor no Brasil. Leia mais
SEM ACORDO
A implantação dessa nova regra para as letras portuguesas voltou a ser discutida nos últimos meses, com a possibilidade de finalmente entrar em vigor - embora o MEC afirme que não há prazo para as novas regras passarem a valer.

Quem é contra a reforma diz que as mudanças são desnecessárias. "Nunca foram meia dúzia de consoantes mudas --como nas formas lusitanas "adopção" e "óptimo"-- que constituíram barreira à intercomunicabilidade entre leitores e escritores dos dois lados do Atlântico", disse o filósofo e escritor Hélio Schwartsman no texto "Reforma estúpida", publicado pela Folha de S. Paulo em 23 de agosto de 2007.

No "Jornal de Angola" do último dia 24 de fevereiro, o escritor angolano Ndunduma Wé Lépi se manifestou contra o acordo e lembrou que seus colegas Mia Couto, de Moçambique, e Eduardo Lourenço, português, também têm dúvidas quanto à mudança. "Acordos sim, mas para resolver o ponto vital: invadir de livros menos caros, de todas as origens, as estantes dos leitores dos nossos povos tão carentes de leitura".

Necessidade do mundo globalizado
O gramático e imortal da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara acredita que não há desvantagem na unificação do idioma. "Para uma pessoa culta, essas alterações não representam uma dificuldade, mas para uma criança ou uma pessoa menos preparada, a diferença na ortografia pode causar dificuldade no entendimento do texto".

Ele conta que, em 2007, o Brasil recebeu de volta 500 livros que enviou para Angola. "Estavam com grafia brasileira e dificultaria a compreensão das palavras a que eles estavam acostumados. É um exemplo patente de como a unificação interessa à educação".

Bechara disse que a unificação da ortografia é uma necessidade do mundo globalizado. Ele cita como exemplo os textos publicados pela ONU (Organização das Nações Unidas). "Há materiais em inglês, espanhol, alemão, mas não em português. Como tem duas grafias, essa edição acaba sendo deixada de lado. Num organismo como a ONU, que não publica nada em português, isso é um prejuízo sem tamanho para a divulgação da língua".

Mesmo com toda uma torcida a favor, o imortal acredita que a nova reforma ortográfica não vingue. Para ele, haverá impacto considerável na indústria editorial e jornalística. "Isso vai demandar investimentos, até mesmo na tecnologia", disse.

Editoras em adaptação
Enquanto a reforma continua engavetada, editoras já se preocupam com o futuro e entram em processo de adaptação da nova regra. É o caso da editora Nova Geração, que já trabalha em cima de uma gramática com a nova ortografia.

A obra, intitulada "Novíssima Gramática Ilustrada Sacconi", demorou 13 meses para ser concluída. Há um mês começou a ser distribuída em forma de fascículos pela revista "IstoÉ" e será lançada integralmente no mês de agosto.

"Estamos fazendo tudo conforme o que estabelece o acordo. E o MEC, para a efetivação de seus programas de compra de livros em 2009 e 2010, tem a obrigação de exigir que as editoras, principalmente as didáticas, produzam seus livros já com a nova ortografia", acredita Arnaldo Saraiva, editor da Nova Geração.

Ele afirma que a nova ortografia já será implantada nos próximos lançamentos da editora. "Todas as obras serão revisadas, seguindo o que está legal", diz. Quanto ao prejuízo que a empresa pode acarretar, caso o acordo seja definitivamente suspenso, Saraiva é sucinto: "A vida não é só lucro, é feita de perdas e ganhos".

Editoras responsáveis pelo lançamento de dicionários da língua portuguesa também esperam uma decisão final sobre a reforma para que as obras sejam atualizadas. A última edição do "Aurélio", publicada pela Positivo, foi lançada em 2004.

"Aguardamos orientação oficial sobre as mudanças que poderão acontecer. Assim que isso for feito pela Academia Brasileira de Letras, vamos nos organizar para atender as diretrizes determinadas", diz em comunicado a assessoria de imprensa da empresa.
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Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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