Você concorda com o ministro? ComenteO ministro da Educação, Fernando Haddad, criticou o pagamento de bônus para professores em função do desempenho dos alunos, a reprovação nas escolas e o modelo de vestibular das universidades públicas. Para Haddad, "prêmio não melhora ensino", "reprovação não ensina" e prova é "decoreba".
Ele participou, nesta terça-feira (25), de sabatina promovida pela Folha de S.Paulo.
Segundo Haddad, "nenhum país colocado nas primeiras posições do Pisa (avaliação internacional de estudantes em que o Brasil obteve, em 2006, as últimas posições) adota o pagamento de bônus".
O "bônus" para professores que tiverem alunos com melhor desempenho foi anunciado este ano pela gestão José Serra (PSDB).
O ministro disse que, no Brasil, "50% dos alunos têm nível de aprendizado igual ao de alunos em Israel" (país com 23º maior Índice de Desenvolvimento Humano do mundo). O abismo que separa os melhores e os piores nas escolas do Brasil faz a média brasileira cair.
Os estudantes brasileiros estiveram entre os piores em avaliação internacional
promovida pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) em 2006. Estão entre os que menos sabem matemática, leitura e ciências no mundo.
Ao responder pergunta de participante da sabatina, que apontava a "progressão continuada" como causa do mau desempenho do ensino público, Haddad disse que "refazer o ano não garante aprendizado". Progressão continuada dá aprovação automática a todos os alunos.
O ministro da Educação defendeu avaliações e sistemas de recuperação durante o ano letivo, para garantir "a aprendizagem dos alunos".
"Há casos em que a reprovação é necessária, mas num país com um índice de evasão escolar como o Brasil, a repetência é ruim", disse.
Vestibular
Haddad classificou de "um horror" os processos de seleção das universidades públicas.
"O vestibular não orienta o currículo do ensino médio, prejudica alunos que não tiveram conteúdos específicos e são talentosos", disse o ministro.
Haddad afirmou ter se reunido recentemente com os reitores das instituições federais para discutir mudanças nos vestibulares.
Para o ministro, as provas atuais são tão "decorebas" quanto os currículos do ensino médio brasileiro. O ministro se disse a favor de uma escola que ensine uma profissão. "O ensino médio deve ser mais diversificado, com eixos tecnológicos".
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