
Lisboa - "As divergências ortográficas só podem gerar confusões no público", disse nesta segunda-feira (7), em Lisboa, o representante da ABL (Academia Brasileira de Letras) Evanildo Bechara, que defende a unidade do idioma português.
O lingüista brasileiro falou durante uma conferência internacional na Assembléia portuguesa da República, organizada pela comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura para promover a reflexão sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Na sua intervenção, Bechara sustentou que "não é um ato de tirania nem ingerência do Estado estabelecer um acordo ortográfico nas instâncias de ensino, porque não impede os escritores de escolher a sua ortografia ou o homem comum de grafar como aprendeu na escola".
Evanildo Bechara salientou que a ABL "defende a unidade ortográfica da língua portuguesa" porque "são muitos os benefícios e vantagens" para os membros da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).
Máximo de unanimidadeAmélia Mingas, presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, organismo dentro da CPLP que trata das matérias relacionadas com a língua, defendeu a necessidade de "os vários interesses envolvidos serem equacionados, e não apenas os relacionados com o mercado editorial".
"Somos 250 milhões de habitantes do espaço dos falantes de português e cada país-membro da comunidade tem a sua contribuição para o enriquecimento da língua portuguesa", observou.
Na conferência, Jaime Gama, presidente do parlamento luso, defendeu que "para esta matéria [o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa] ter o máximo de aceitabilidade, deve obter o máximo de unanimidade por parte da comunidade de países de língua portuguesa".
"A língua é o que justifica a união desta comunidade", lembrou o presidente do parlamento perante cerca de meia centena de participantes, entre embaixadores, deputados e lingüistas.
Na seqüência de uma resolução do governo português, a Assembléia da República tem pendente para ratificação o segundo protocolo modificativo do Acordo Ortográfico que visa unificar a escrita do português, já aprovado pelo Brasil, Cabo Verde e São Tomé.
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