O MPF (Ministério Público Federal) no Distrito Federal e o MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) entraram nesta terça-feira (8), na Justiça Federal, com uma ação de improbidade administrativa contra o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, e o decano de administração da instituição, Érico Paulo Weldle. Eles são acusados de usar recursos do financiamento de projetos e desenvolvimento institucional para decorar o apartamento de Mulholland.
Segundo a Agência Brasil, a ação pede a condenação do reitor e do decano ao ressarcimento integral dos gastos, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos por até cinco anos, ao pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração recebida por eles e à proibição de contratar com o poder público por três anos, além do pagamento de indenização por danos morais.
No começo do mês passado, Mulholland prestou depoimento no Senado. De acordo com as investigações, a Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), fundação de apoio ligada à FUB (Fundação Universidade de Brasília), utilizou R$ 470 mil na compra de móveis de luxo para o apartamento do reitor, além da aquisição de lixeiras, de equipamentos de TV e som, de telas artísticas e vasos com plantas diversas, além de utensílios domésticos.
O reitor
negou para a CPI que o gasto com a decoração de seu apartamento tenha sido irregular. "A preparação do imóvel não se deu em prejuízo em qualquer outro programa, muito menos de pesquisa da universidade", afirmou na ocasião.
A ação alega ainda que R$ 72 mil foram usados para comprar um automóvel de uso exclusivo do reitor. Os procuradores da República Raquel Branquinho e Rômulo Moreira e o promotor de Justiça Ricardo Souza consideram na ação que "os gastos foram exorbitantes e o dinheiro aplicado para fim diverso daquele previsto em lei".
Segundo a Folha de S. Paulo, o
reitor divulgou uma nota na noite desta terça dizendo que recebeu a notícia com pesar, mas com alívio está sendo julgado "na mídia e nos corredores" há dois meses sem acusação ou possibilidade de defesa.
"Agora, finalmente, tenho o direito de conhecer a acusação e de me defender na Justiça, onde meus direitos serão respeitados, diferentemente do fórum da mídia e dos corredores", diz na nota.
Sem renúnciaNesta terça (8), Thimoty Mulholland disse que
não pretende renunciar nem se afastar do cargo. Foi a primeira vez que ele se manifestou desde a ocupação da reitoria, na última quinta-feira (3), por estudantes que pedem seu afastamento.
Segundo Mulholland, a manifestação dos estudantes é uma retaliação ao processo de inclusão social desenvolvido pela UnB. Ele disse que o aumento do número de vagas para estudantes negros e de baixa renda tem provocado reações contrárias. "Trabalhamos com a diversidade brasileira, mas essas politicas muitas vezes não são compreendidas e não agradam. Há uma reação a isso".
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