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15/05/2008 - 20h31

Vinte e dois anos para a educação paulista alcançar nível de país desenvolvido é razoável

Da Redação
Em São Paulo
  • Veja as escolas com os piores desempenhos de 4ª série no Idesp
  • Veja notas de todas as escolas estaduais de São Paulo


  • A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (15) metas para cada uma de suas 5.183 escolas a serem alcançadas ao final deste ano. Mais que isso: a rede estadual de educação de São Paulo terá 22 anos para que a qualidade do ensino atinja patamares de países desenvolvidos. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o prazo não é longo uma vez que "a educação está mesmo a desejar".

    Os objetivos foram estipulados a partir das notas dos estabelecimentos do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo), que também foi lançado hoje.

    Segundo a secretaria, o parâmetro a ser alcançado é o da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 30 países e tem entre suas metas assegurar o melhor acesso à educação. Em São Paulo, as escolas estaduais receberam notas individuais e somente sete possuem padrões de ensino internacionais.

    A maior média a ser alcançada em São Paulo, numa escala de zero a dez, é sete -- para alunos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. "A nota mais alta do mundo, que é a da Finlândia, é 6,5", justifica a secretaria. O cálculo da meta até 2030 segue o mesmo padrão do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e das metas do Todos pela Educação, modelo também adotado pela Finlândia e Coréia do Sul.

    Para o vice-presidente da Fundação Padre Anchieta e professor da PUC-SP, Fernando Almeida, a perspectiva de 22 anos está dentro do possível. "Propor uma mudança de cultura, de participação no resultado do PIB, de melhoria num sistema já existente demora um tempo muito grande. Tudo isso é uma questão cultural que países mais antigos já trabalham há quase cem anos".

    O professor diz que a melhoria do ensino não acontecerá de uma hora para outra. "Esses números são indicativos, mas não podem alarmar. Trinta anos não é nada na história de um país. Se o Brasil tivesse começado antes a avaliar o ensino, já teríamos alcançado as metas, mas preferimos investir em outras áreas".

    Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP), não vê méritos nos exames do Estado. "Já temos Saresp, Saeb, Prova Brasil, Prova São Paulo. Para que tanta avaliação, se o Estado sabe que o ensino é ruim?", questiona. "O governo sabe quais são os problemas: desvalorização dos profissionais, salas lotadas, cargas horárias reduzidas, falta de infra-estrutura. São fatores importantes que determinam a qualidade do ensino", diz Ramiro.

    Bônus por mérito
    O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), criado pelo governo estadual, leva em conta dois dados: o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) e a taxa de crianças na série adequada para a idade.

    Um dos instrumentos utilizados para as escolas que alcaçarem suas metas é o bônus por mérito. Segundo a secretaria, a remuneração por desempenho será de três salários, além do décimo terceiro, para todos os funcionários da escola. "O Idesp será apenas um parâmetro da bonificação, mas a secretaria ainda estuda outras maneiras de implementar".

    Para o presidente da Apeoesp, a remuneração por desempenho é um "desastre". "Os professores estão há três anos sem reajuste salarial. Por isso, esse sistema acaba gerando concorrência entre escolas e docentes. Os profissionais devem ser valorizados através de um salário justo, não de prêmios".

    O vice-presidente da Fundação Padre Anchieta defende a remuneração por mérito. "Um professor que trabalha na periferia precisa ter uma convicção maior que a salarial do que aquele que trabalha na região central. Tudo o que permite uma melhoria deve ser valorizado. Se não der certo, vamos complementar com bolsas de estudos ou programas de formação".
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