O ministro brasileiro da Educação, Fernando Haddad, disse nesse sábado à Lusa que o Brasil quer acertar com Portugal uma agenda para implantar as medidas propostas no acordo ortográfico, após a aprovação pelo Parlamento português na sexta-feira (16) do segundo protocolo modificativo.
O governo brasileiro recebeu com muita satisfação a decisão da Assembléia da República de Portugal de aprovar o segundo protocolo modificativo, que abre caminho para a entrada em vigor do acordo ortográfico em Portugal.
"O acordo ortográfico simboliza o sentimento de unidade dos países de língua portuguesa e permitirá o aprofundamento da cooperação e integração internacional entre os países membros da CPLP", declarou Haddad à Lusa.
O ministro brasileiro disse que quer marcar duas reuniões com a sua homóloga portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, uma em Lisboa e outra em Brasília, para acertar o cronograma de implantação das medidas estabelecidas no acordo ortográfico.
Nesse encontro, o ministro apresentará a Portugal a proposta elaborada pela Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (COLIP), que prevê o início da reforma ortográfica da língua portuguesa no Brasil já a partir de janeiro de 2009.
Esta proposta prevê um prazo de transição de três anos para que a nova ortografia seja plenamente adotada no país.
O ministro informou ainda à Lusa que já ordenou à Secretaria de Educação Básica a produção de um manual com as medidas do acordo ortográfico e instruções para os professores, que será distribuído pela Rede Pública de Educação Básica em todo o Brasil.
A Academia Brasileira de Letras também recebeu com entusiasmo a decisão da Assembléia da República de Portugal, considerando a aprovação como um "marco histórico".
"Inscreve-se, finalmente, a língua portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da lusofonia", afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni.
Na opinião do acadêmico Marcos Vilaça, que presidiu a ABL entre 2006 e 2007 e cuja gestão incentivou a aceleração do processo para a aprovação do acordo, Portugal acaba de dar "prova de grande maturidade e modernidade".
"A simplificação do emprego do idioma vai possibilitar o incremento das relações culturais na comunidade lusófona", destacou.
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