UOL EducaçãoUOL Educação
UOL BUSCA

Últimas Notícias

28/05/2008 - 20h02

Pedagogo francês defende adicional para professor atender pais de alunos violentos

Bruno Aragaki
Em São Paulo
As causas da violência escolar freqüentemente estão fora da sala de aula. No seminário "Violência Escolar - Desafios de Gestão", promovido pela Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) na última terça-feira (27), o pedagogo francês Gilles Monceau defendeu um bônus para que os professores ajudem a diminuir a insegurança nas escolas.

"Para resolver o problema, professores devem ter espaço na agenda para atender regularmente pais de alunos violentos - e precisam receber [a mais] para fazer isso", diz Monceau, que é professor da Universidade Paris 8.

Para ele, "não se pode aceitar dentro da escola o que acontece fora dela". O desafio é mudar a realidade nos dois ambientes. "Isso é feito em aliança com os pais, que precisam ajudar os filhos a se sentirem seguros e protegidos - afinal, a violência é uma demonstração de medo e falta de confiança", diz.

"Principalmente em periferias violentas, é preciso grande esforço com os pais e a comunidade, mas tem de haver incentivo para o trabalho ir adiante", disse. "Precisamos parar de achar que professor resolve os problemas da educação trabalhando como voluntário", disse Monceau.

Doutor em ciências da educação, Gilles Monceau conduz um projeto de consultoria a escolas francesas que enfrentam problema de violência - uma delas em Saint Dennis, um dos cenários das manifestações violentas que atingiu as periferias francesas em 2005.

Responsabilidade do professor

Apesar de defender estímulos financeiros para os profissionais, Monceau não isenta os mestres da responsabilidade do controle e da qualidade de ensino dentro de sala.

"Muitos não gostam de admitir, mas, na aula, a responsabilidade é do mestre", disse. "Durante a análise das escolas, enfrentamos muita resistência dos professores que não querem repensar a maneira de trabalhar, ou não reconhecem que têm problema de violência em sala".

O professor francês classifica também de violência empurrões, xingamentos ou outras formas de agressões consideradas "pequenas" e muitas vezes menosprezadas pelos educadores.

"Elas [as agressões consideradas menores] atrapalham o andamento da aula ou fazem a sua qualidade cair. Para fazer os alunos ficarem quietos, já vi muitos professores distribuírem atividades banais, que mantêm o aluno entretido, como questionários com perguntas simples", relatou.

"Há também a tentação de levar os alunos para o laboratório de informática e deixá-los lá, sem atividades com conteúdo pedagógico. É um paliativo, cria um ambiente de 'paz em aula', mas não ensina nada".

Violência versus sensação de violência


Apesar de não ter números concretos - "a violência escolar é difícil de ser medida", uma vez que o conceito de violência é é subjetivo. Em sua avaliação, a violência escolar é mais "sentida que presente".

"Professor sempre diz que as aulas não avançam porque os alunos são violentos ou indisciplinados. Mas quando peço exemplos desses casos de indisciplina, muitos não sabem o que dizer", conta Monceau.

"Acabam falando de problemas com a direção da escola, com outros colegas ou problemas próprios", diz Monceau. "A mídia contribui para essa sensação de que as escolas são violentas. Algumas de fato o são, mas felizmente não temos um professor esfaqueado por dia, como às vezes têm-se a impressão".
Leia mais
São Paulo define bônus para professores em escolas
Educadores divergem sobre bônus
Nova York vai pagar o triplo para professores públicos
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
Lição de Casa Dicionários

Aulete

Português

Houaiss

Português

Michaelis


Tradutor Babylon


Intercâmbio

Shopping UOL

Hospedagem: UOL Host