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12/06/2008 - 17h28

Escolas precisam de educador sexual, defende Jairo Bouer

Da Redação
Em São Paulo
Pais e professores dividem as mesmas dúvidas: como falar de sexo com os jovens? Uns defendem que esse é um assunto para família, outros, que é matéria para a sala de aula. Jairo Bouer, psiquiatra e especialista em comportamento e sexualidade, tem opinião intermediária: o tema deve ser tratado em casa, com o apoio da escola.

Em tempos de sexo na televisão, na Internet e nos outdoors, os estímulos vêm cada vez mais cedo. O médico defende que as escolas preparem educadores para esclarecer as dúvidas cada vez mais precoces.

"Não precisa ser o professor de biologia, que entende do corpo humano. Educação sexual também é comportamento. O professor tem que estar interessado e aberto à atividade. E a escola tem que investir nessa pessoa, dar suporte, material ou cursos".

Segundo o médico, os pais não devem deixar a responsabilidade apenas com a escola. "Muitos educadores se queixam de que os pais lavam as mãos para o assunto e querem que os filhos tirem as dúvidas na escola, mas é preciso estar junto e acompanhar os filhos".

A idéia é abordar o tema desde cedo para que o assunto se torne natural.

Segundo uma pesquisa organizada pelo pesquiatra com mais de 7.520 alunos de 20 escolas da Grande São Paulo, cerca de 60% dos jovens de 13 e 17 anos não conversam com os pais sobre sexo. "Essa é a geração mais precoce. Eles têm todas as informações que precisam, principalmente através dos veículos de comunicação".

Ainda assim, 70% dos adolescentes têm informações corretas sobre procedimentos para sexo seguro e uso de camisinha, mas quase todos (61%) têm medo de engravidar ou de contrair alguma doença. Mais do que isso, cerca de 9% das meninas tiveram filhos. Ou seja, mais informação não implica em mais prevenção. "Eles sabem toda a teoria, mas não aplicam na prática", afirma Jairo.

Sem forçar a barra

A orientação sexual na grade escolar, como prevê o MEC (Ministério da Educação), é uma das tentativas para que as estatísticas de gravidez na adolescência não engordem ainda mais.

Jairo acredita que é preciso adequar "o que o aluno tem capacidade de entender" com o que "ele quer saber". Ele aconselha o professor a perguntar para os estudantes o que querem saber e se querem uma aula, uma apresentação de slides, teatro, projetos ou campanhas. "Não adianta forçar um assunto que eles não querem saber".
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