13/06/2008 - 18h42
Há 39 dias de greve, professores de São Gonçalo mantêm paralisação
Da Redação
Em São Paulo
Às vésperas de completar 40 dias de greve, os professores e funcionários administrativos (merendeiras e inspetores) da rede municipal de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, decidiram manter a paralisação por tempo inderteminado. A decisão de continuar a greve, que começou no dia 5 de maio, foi tomada depois de uma contraproposta do município.
Segundo a diretora do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), professora Mônica Pereira de Assunção, a categoria está há cinco anos sem reajuste salarial. "Nossa luta é pelos 26% das perdas salariais de todo esse tempo que não tivemos um aumento".
A pauta de reinvindicações inclui também a incorporação de salários para os trabalhadores. "O inspetor tem salário base de R$ 278 e o professor inicial ganha R$ 566", afirma. O Sepe pede aumento de 3,5 salários mínimos para os funcionários e de 5 para os docentes.
O secretário municipal de Governo, Luís Paiva, disse que o pedido de reajuste em 26% é inviável para o município. "São Gonçalo não tem orçamento para cobrir esse montante por causa da isonomia salarial. São mais de 6.000 servidores e esse valor teria que se estender por todo o funcionalismo público. Por isso propomos um aumento de 2,5% para todos, mas eles recusaram".
Na última quarta (11), o município fez uma contraproposta de 4%, que também foi rejeitada pela categoria.
Ainda segundo Paiva, o valor não é final e pode ser negociado, mas o Sepe não fez contra-proposta. "Estamos à disposição para sentar e discutir. Entendemos que o pedido da categoria é justo, mas é preciso saber diferenciar o que é justo do que é possível. As conquistas são feitas gradativamente".
Nova assembléia
Os professores e funcionários preparam um novo ato de protesto para a próxima semana. Logo após a manifestação, uma nova assembléia será realizada para decidir o rumo da paralisação.
Os números da greve ainda são desencontrados. Enquanto o Sepe afirma que 50 mil alunos estão sem aula, o secretário do Governo diz que são cerca de 7 mil estudantes e apenas quatro escolas, das 86 municipais, que estão totalmente paradas.
A rede municipal de São Gonçalo envolve a educação infantil até o ensino fundamental. Os professores ameaçam não repor as aulas se houver o corte de pontos do período em que houve greve, mas o secretário garante que o salário será pago normalmente. A LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional) prevê o cumprimento de 200 dias letivos.
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