Nesta terça-feira (17), segundo dia de greve nas escolas estaduais de São Paulo, aumentou de 115 mil para 138 mil o número de professores fora das salas de aula, segundo o sindicato da categoria, a Apeoesp.
A Secretaria de Estado da Educação mantém a projeção divulgada ontem, de 2% de faltas - o que equivaleria a 4.600 dos 230 mil professores da rede.
O número real de professores parados pode estar entre os dois índices divulgados - o do governo e do sindicato. A diferença de métodos de "contagem" pode ajudar a explicar o descompasso entre os números.
O sindicato centraliza os números obtidos pelas subsedes da Apeoesp em todo Estado por meio de pesquisa telefônica ou presencial nas escolas. Pressionados a "colaborar" com o movimento, alguns professores podem se declarar "em greve" e, no entanto, trabalhar normalmente.
Os números oficiais publicados pela Secretaria de Estado da Educação também podem guardar distorções. A secretaria considera presente todo professor que assinou o ponto na escola.
Ao término de cada período de aula, as escolas encaminham relatório de freqüência às diretorias de ensino, que repassam os dados à secretaria estadual.
Esse número de professores "presentes" - 98%, segundo nota distribuída à imprensa - pode também incluir os grevistas que, apesar de assinar o ponto, não deram aula - hipótese formalmente negada tanto pela secretaria de educação quanto pelo sindicato.
"Isso não existe. Professor que assina o ponto tem de dar aula. É obrigação da direção da escola fiscalizar", disse a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação.
"Não fazemos 'greve de ponto assinado'. Professor em greve não assina livro. Esse dado da secretaria é inventado", contesta Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp.
A greve deve seguir até, no mínimo, a próxima sexta-feira (20), quando haverá nova assembléia da categoria.
Reivindicações
No centro da discussão entre professores e Estado está o decreto 53.037, publicado no fim de maio no Diário Oficial.
Entre os artigos mais polêmicos está o que estabelece período mínimo de três anos, contados a partir da data de admissão, para que o professor possa mudar da escola em que trabalha.
A medida, válida apenas para os contratados a partir de novembro de 2007, tem como objetivo diminuir a rotatividade dos professores, segundo a secretaria. Para o sindicato, trata-se de cerceamento de direito do professorado.
O decreto também desagrada o sindicato ao prever exames anuais para professores temporários. Atualmente, o critério para escolha de aulas é o tempo de serviço.
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