20/06/2008 - 21h26
No Ideb, 53% dos municípios estão abaixo da média nacional; melhores notas estão em SP
Da Redação*
Brasília - O MEC (Ministério da Educação) divulga neste sábado (21), em seu site, o Ideb de 2007 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) por município e escola. O indicador foi criado em 2005 e funciona como um termômetro da qualidade do ensino.
Dos 5.485 municípios avaliados, 53% obteve nota abaixo da média nacional (4,2 pontos) em uma escala de 0 a 10, considerando-se as séries iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, o desempenho foi ainda pior: 60% das cidades abaixo da média nacional, que foi de 3,8.
Para o presidente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, desde a Constituição de 1988 e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), há um forte processo de municipalização das redes educacionais.
"Aumentou a responsabilidade do município, mas não o aporte de recursos para serem investidos na educação", indica. "Os municípios estão fazendo um esforço, mas o que nós devemos perguntar é se queremos ficar nos 4,2", avaliou. Para chegar ao Ideb 6, meta para o Brasil até 2022, Cara defende um maior repasse de recursos pela União.
Ele destaca que o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) avançou no assessoramento técnico das redes municipais, mas financeiramente o apoio é insuficiente. "Ele [PDE] liberou R$ 1 bi, mas segundo os nossos estudos, para haver uma participação efetiva da União, o valor anual repassado deveria ser entre R$ 19 bi e R$ 26 bi", calcula.
Melhores notas nos municípios de SP
Dos 12 municípios com as melhores notas no Ideb, considerando as séries iniciais do ensino fundamental, 11 estão no estado de São Paulo e um no Rio Grande do Sul. Já as regiões norte e nordeste concentram as cidades com as piores notas obtidas na avaliação.
O Ideb referente aos resultados da 4ª série do ensino fundamental mostrou que a nota mais alta foi registrada no município paulista de Adolfo, que fica na região de São José do Rio Preto, a 400 quilômetros da capital. O índice das séries iniciais da rede pública foi 7,7, superando os 4,7 obtidos em 2005 e a meta nacional para 2022, que é 6.
O prefeito de Adolfo, João Donizete Theodoro, diz que o objetivo é capacitar os alunos para o mercado de trabalho. "Hoje temos dois ônibus e dois microônibus levando alunos para a faculdade", conta.
O município de Ubatã, no sul da Bahia, teve a pior nota: 0,9. Na avaliação anterior, a cidade tinha atingido 1,8. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Educação informou que está ciente do problema, e que a administração municipal está "fazendo de tudo" para reverter a situação. Os principais investimentos são feitos na capacitação dos professores, jornadas pedagógicas e atividades complementares.
Em 2005, a cidade que obteve a pior nota nas séries iniciais da rede pública foi Itaúba, no norte do Mato Grosso, com 1,1. Na avaliação de 2007, a cidade conseguiu passar para 4,5, superando a média nacional, que foi de 4,2. Segundo a chefe do Departamento de Educação da cidade, Norma Morelato, para melhorar o resultado, a prefeitura investiu na capacitação dos professores e no atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem.
As informações são da Agência Brasil
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