Dois dias antes da
assembléia que discutirá os rumos da greve nas escolas estaduais de São Paulo, professores começam a voltar para as salas de aula. Na Escola Estadual Antônio Firmino Proença, região central da capital, a manhã desta quarta-feira (25) foi de reencontro para cerca de cem alunos que apareceram para estudar, segundo uma professora do colégio que não quis se identificar.
Ela conta que a escola está, pouco a pouco, voltando à normalidade por pressão da Secretaria da Educação de São Paulo. "Os docentes estão com medo de perder licença-prêmio e outras bonificações porque o Estado está marcando falta injustificada para nós. Isso acaba com a vida do professor". Os períodos vespertino e noturno --que funcionam ensino fundamental, médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos)-- continuam sem aulas.
A paralisação na Escola Estadual Brasílio Machado, na zona sul, é parcial desde a segunda-feira da semana passada. O professor de geografia Roberto Guido contabiliza que 40% dos professores estão parados. "Para quem não aderiu à greve, as aulas estão irregulares porque até o grêmio estudantil está nos apoiando", disse. Ele explica que os educadores do colégio também temem perder licença-prêmio.
Para Guido, que é filiado à Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo), o ideal seria que todos os professores aderissem ao movimento. "Queremos fazer uma greve completa e curta, porque seria mais eficaz e rápida para todos". Exemplo disso é a Escola Padre Anchieta, no bairro do Brás, que aderiu à greve geral --o colégio tem aproximadamente 70 professores.
Enquanto isso, na Escola Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto, zona norte, os 102 docentes continuam ministrando normalmente as aulas para os 2.200 alunos do ensino médio e fundamental. "A decisão foi tomada pelos professores, que não acharam o momento ideal porque poderia comprometer o processo de aprendizagem dos estudantes", disse a diretora da escola, Cecília Regina Bigattão.
Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp, disse que é legítimo o receio dos professores em perder licença-prêmio e bonificações de evolução da carreira. "Se o docente não está dando aula, a Secretaria pontua a falta, mas um dos pontos de negociação da greve é a reposição de aulas e o abono das faltas".
No entanto, Ramiro lembra que na greve feita em 2000 a reposição das aulas foi feita, mas as faltas não foram retiradas. "Estamos prejudicados até hoje [sem receber as bonificações passadas], mas vamos ver o que conseguimos fazer". Uma nova assembléia está marcada para as 14h de sexta-feira (27).
SubstitutosNo final da tarde desta quarta, professores avisaram o Sindicato de que a Secretaria teria mandando emails para que as escolas substituíssem aqueles que estão em greve. "Recebi ligação de regiões diferentes do interior. Isso é ilegal, não se pode substituir professor em greve", disse Ramiro.
Segundo a Secretaria, o email foi enviado a algumas diretorias que pediram esclarecimento sobre a substituição. A assessoria de imprensa do órgão afirma que a ação não é ilegal, já que o proibido é a contratação desses substitutos, e não a convocação daqueles que já estão contratados. Cerca de 20 mil professores substitutos estão cadastrados na rede estadual.
A
greve dos professores começou no dia 16 de junho. No centro da discussão entre a categoria e o Estado está o Decreto 53.037, publicado no fim de maio no Diário Oficial.
Segundo a Apeoesp, mais de 80% das escolas estaduais aderiram à paralisação. O governo rebate o número e diz que menos de 2% da categoria está de braços cruzados.
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