A Secretaria da Educação de São Paulo anunciou, nesta quarta-feira (2), o corte de salário e de gratificação dos professores da rede estadual que estão
em greve há 17 dias. Em nota, o órgão disse que "uma minoria de professores insiste em faltar às escolas nas últimas duas semanas, prejudicando os alunos".
Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp, sindicato que coordena a paralisação, disse que a categoria já esperava por isso. "É assim que a Secretaria nos trata, já esperávamos enfrentar essa situação". Para reverter o caso, o
sindicato entrou na Justiça com um mandado de segurança coletivo em defesa do direito de greve da categoria.
Por medo de perder o bônus, alguns docentes já estavam
voltando às salas de aula desde a semana passada. Maria Izabel lembrou que na greve de 2000 os professores receberam holerites "zerados" e aqueles que repuseram as aulas ainda não tiveram as faltas retiradas do prontuário. "É assim que o Estado quer oprimir a categoria".
A Assembléia Legislativa aprovou, nesta semana, um aumento de até 12,2% no salário-base dos servidores (professores, diretores e supervisores). Segundo a Secretaria, cerca de 230 mil funcionários serão beneficiados, além de 120 mil aposentados com o pagamento, referente a julho.
Para professores de 1ª a 4ª com curso superior e de 5ª a 8ª e ensino médio (fases que exigem ensino superior), em 40 horas, o salário-base irá de R$ 1.350,75 para R$ 1.501,50.
Segundo Maria Izabel, essa não é a reivindicação da categoria. "No bolso dos professores, esse aumento será de 5%. Precisaríamos de, no mínimo, um reajuste de 35%". Uma nova assembléia para discutir os rumos da greve está marcada para a próxima sexta-feira (4). Nesta quarta, o senador
Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu que o governador paulista José Serra (PSDB) intervenha na greve de professores.
ReivindicaçõesA categoria exige a revogação do decreto de lei 53.037/08. Na semana passada, José Serra (PSDB) publicou outro decreto que altera o anterior em três pontos.
Pode pedir transferência quem: faltar até 12 vezes ao ano; tirar licença; ou estiver em estágio probatório (efetivados há menos de três anos). Também foi aprovado reajuste de 5% e incorporação ao salário-base de uma gratificação. Para o sindicato, a mudanças foram "mínimas".
Segundo a Secretaria, menos de 2% dos professores tem faltado diariamente nas 5.537 escolas estaduais --a rede tem 230 mil docentes. A convocação de substitutos, cadastrados nas diretorias de ensino da rede, já havia sido liberada. A pasta informa que os professores faltantes não precisarão repor aulas na maioria dos casos.
No comunicado, a Secretaria diz que "é totalmente contra uma greve corporativista organizada por um sindicato, a Apeoesp, que não tem pensando nos alunos, na melhoria da qualidade do ensino na rede estadual paulista".
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