São Paulo - Pelo menos 12 Estados têm professores em suas redes que recebem salários abaixo do
piso nacional de R$ 950, aprovado na quarta-feira (2) no Senado. A maioria é de docentes formados apenas em ensino médio, mas que dão aulas para todos os níveis.
Em quatro Estados --Ceará, Pernambuco, Santa Catarina e Sergipe--, professores com curso superior também recebem menos que o novo piso, segundo estudo da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).
Apenas 14 dos 27 Estados, também segundo a pesquisa, têm jornadas de 40 horas semanais, mencionadas no projeto de lei para receber o piso. Na opinião do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autor do projeto, os Estados e municípios devem pagar o piso salarial proporcional para jornadas menores.
Menos que o pisoA pesquisa do CNTE mostra ainda que, mesmo com gratificações e prêmios, há Estados em que a remuneração do professor não chega ao novo piso. O menor registrado é no Ceará, em que o salário de professor formado em ensino médio, com gratificações, é de R$ 577,44. "Os governos podem optar por incorporar as gratificações e chegar ao piso, nos casos em que isso ocorre", diz Cristovam.
Ainda não há estudos precisos de quantos professores serão beneficiados pela nova medida. O projeto espera sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O MEC (Ministério da Educação) divulgou ontem que cerca de 800 mil professores da educação básica, em início de carreira, teriam seus salários aumentados. Isso representa 40% da categoria.
Para o presidente da CNTE, Roberto Franklin Leão, entre 60% e 65% dos professores brasileiros ganham menos que R$ 950. "Ainda tem professor no Brasil ganhando menos do que um salário mínimo", diz.
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