A carreira de enfermeiro já não é mais considerada uma segunda opção para aqueles que não passaram no vestibular para medicina. E, para a doutora Almerinda Moreira, membro da Câmara Técnica de Assistência do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), esse aquecimento nos cursos superiores é bem-vindo, já que a área exige demanda e "o brasileiro, infelizmente, está muito doente".
O Cofen contabiliza, hoje, 155.444 enfermeiros no Brasil. A boa notícia é que, segundo Almerinda, não falta emprego para estes profissionais. "Há muitos campos disponíveis para trabalho que vão além do hospital, apesar de esse ser a área que mais absorve enfermeiros". Ela diz que a categoria está se qualificando cada vez mais, o que explica o
crescimento destes cursos superiores. "Temos até pós-doutorado. Isso dá maior confiabilidade na carreira".
A doutora conta que a demanda de enfermeiros é grande no país e a grande quantidade de recém-formados não atrapalha os planos de quem busca uma vaga. Apesar disso, existem algumas concentrações. "São Paulo, por exemplo, está restringindo a entrada destes profissionais". Isso porque o Estado abriga 54.826 enfermeiros diplomados. "O que se procura nessa região, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, são especializações". Como na maioria das profissões, Norte e Nordeste têm defasagem.
Maria Angélica Azevedo Rosin, chefe do departamento de fiscalização do Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo), diz que grande parte dos formandos de São Paulo migram para outros Estados e até para o exterior. "Aqui no Brasil temos essa mão-de-obra pronta para atendê-los. Em 2007, foram muitos enfermeiros para a Itália", conta.
Apesar de atraente, a profissão ainda não é bem remunerada. "Não existe um piso nacional para a categoria, então o salário depende de cada região. No Rio, varia entre R$ 800 e R$ 1.000. Em São Paulo, pode chegar a R$ 3.000".
Qualidade da mão-de-obraAs duas conselheiras concordam que a qualidade do serviço de um enfermeiro começa nos bancos da faculdade. Almerinda sustenta que o MEC deve ficar de olho, principalmente nas instituições privadas. "A gente ouve histórias de que algumas faculdades contratam professores titulados só para passar na avaliação e depois mandam embora. Isso faz a qualidade do ensino cair mesmo".
Para Maria Angélica, as instituições não atendem as competências previstas na educação profissional. "É uma profissão técnica, científica, teórica, mas tem a essência da prática". Assim como medicina e outros cursos da área de saúde, os alunos de enfermagem também precisam de campo para estudar. "Todas as escolas dependem do campo de estágio, que vai concretizar a profissão. Mas muitas vezes as faculdades não estão preparadas e nem têm laboratórios", diz Maria Angélica.
Segundo ela, os conselhos não têm ingerência sobre o ensino e só podem fiscalizar o exercício profissional. "O docente supervisiona os estágios dentro dos hospitais. Os conselhos verificam se há escolas, se estão realizando as atividades de acordo com a disciplina. Mas, nesse caso, é mais uma orientação da nossa parte".
Almerinda diz que é preocupante instituições com conceito insatisfatório, mas que o MEC deve supervisionar a saída de um aluno para o mercado profissional.
"É uma política do governo que todos os conselhos tenham uma prova como o exame da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil, que autoriza bacharéis de direito exercerem a profissão de advogado]. Mas quem tem que dar o título é a universidade. Nosso papel é fiscalizar o exercício profissional".
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