Os estudantes da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, que estão acampados na reitoria desde a última quinta-feira (7), farão uma nova assembléia na próxima segunda (18). Na reunião, eles decidirão se haverá uma greve geral de alunos em protesto contra o processo de escolha do reitor da instituição.
Segundo Ítalo Milhomem, aluno do 4º ano de jornalismo e integrante do DCE (Diretório Central dos Estudantes), estudantes de cinco campi da universidade no interior já confimaram a presença na assembléia.
O representante do DCE diz que alguns cursos como direito, ciências sociais, arquitetura, letras e psicologia já estão paralisados. A suspensão das aulas atingiu ainda os campi de Três Lagoas e Aquidauana durante a semana.
Nesta sexta, os alunos pretendem pedir a intervenção do MEC (Ministério da Educação), impedindo que a eleição para reitor aconteça no próximo dia 25. Eles encaminharão ainda um pedido ao MPF (Ministério Público Federal) para que o órgão entre com uma ação contra a UFMS pela cobrança indevida de taxas na universidade.
Reivindicações
Os alunos querem igualdade de peso nos votos dos estudantes, funcionários e professores na indicação de candidatos a reitor que é enviada para o MEC (Ministério da Educação). Nos moldes atuais, o voto dos cerca de 800 professores tem peso de 70% na escolha do reitor. Os 16 mil estudantes e os 2.000 técnicos administrativos dividem os 30% restantes.
Os estudantes pedem pesos iguais aos votos de professores, alunos e funcionários (33% para cada grupo) e dizem que faltou discussão sobre mudanças no processo. Querem ainda alteração da data da votação, marcada para 25 de agosto, véspera de feriado em Campo Grande. A UFMS argumenta que não há possibilidade de mudança na programação.
Os estudantes pedem também construção de moradias e restaurantes nos campi, fim do pagamento de taxas na UFMS, contratação de professores permanentes e melhorias na infra-estrutura.
Na última sexta-feira, revoltados com o veto a suas propostas, estudantes tentaram invadir a sala onde se reunia o Conselho Universitário. A ação foi impedida por seguranças e houve tumulto.
A assessoria da universidade diz que os estudantes estão apenas no hall de entrada do prédio, com cerca de 20 barracas montadas em um gramado. Os alunos dizem que já estão no primeiro andar do prédio.
Estima-se que cerca de 65 alunos estão acampados há sete dias em frente ao prédio da reitoria da UFMS. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) calcula que 300 pessoas estejam participando das mobilização durante o dia.
Novos professores
O reitor da UFMS, Manoel Peró, anunciou nesta quarta-feira (13) a autorização do MEC para concurso público que vai contratar 120 novos docentes. No mesmo dia, vinte e três novos professores tomaram posse na universidade.
"A notícia é bem-vinda, mas queremos acompanhar a distribuição desses professores pela universidades, para que não haja cursos privilegiados", conta Cabral.
*Com informações da Folha Online- Outros protestos estudantis
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