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19/08/2008 - 20h14

Portal sobre idioma será criado ainda em 2008, diz ministro

Brasília, 19 ago (Lusa) - Um portal da língua portuguesa na internet deve ser criado até o final deste ano, disse à Agência Lusa o novo ministro brasileiro da Cultura, Juca Ferreira, após uma reunião com o colega português, José António Pinto Ribeiro.

"Demos hoje um passo importante, na medida em que os dois ministros concordaram sobre a importância deste portal, cuja criação já foi decidida no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]. Vamos agora disponibilizar os meios e criar os mecanismos de realização", afirmou Juca Ferreira.

Na avaliação do ministro brasileiro, é importante incorporar no projeto todos os países da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - para que o portal "capture toda a diversidade do mundo que fala português".

O projeto, proposto pelo Brasil, tem um custo avaliado em US$ 1milhão (R$ 2,4 milhões). "Estamos totalmente de acordo e empenhados para levar a cabo este projeto de iniciativa brasileira", disse à Agência Lusa, Pinto Ribeiro.

Relacionamento

Juca Ferreira elogiou o apoio de Portugal e disse que nunca as relações bilaterais na área cultural foram tão intensas como agora. "Notamos que houve uma mudança de atitude de Portugal, de interesse numa parceria cultural com o Brasil numa intensidade até então não colocada nas relações bilaterais".

De acordo com Juca Ferreira, há hoje uma grande proximidade de pontos de vista entre os governos brasileiro e português, que prezam o respeito e o tratamento igualitário de todos os membros que fazem parte da CPLP.

"O ministro português, ao participar hoje numa reunião do Conselho Nacional de Cultura, ressaltou a importância de trabalharmos a língua portuguesa como um patrimônio comum da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a possibilidade de transformarmos este desejo em políticas que se reflitam nas ações dos Estados nacionais", disse.

Acordo

Ferreira afirmou ainda que compreende as resistências que existem em Portugal e, em menor grau, no Brasil, quanto ao acordo ortográfico, mas frisou a sua importância.

"A língua é um patrimônio vital e a dimensão mais importante da expressão humana e é natural que existam resistências quanto ao acordo. Mas as diferenças entre o português que se fala no Brasil e em Portugal não justificam mantermos a separação e o isolamento, ainda mais num mundo globalizado", declarou.

Na avaliação do novo ministro brasileiro da Cultura, "fortalecer a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e, portanto, a língua portuguesa, é essencial para a sobrevivência e, mais do que isso, para o desenvolvimento dos países-membros".

Juca Ferreira não acredita que, com o acordo ortográfico, o Brasil possa "engolir" o mercado editorial português. "Acredito mais na possibilidade de cooperação, não só entre Brasil e Portugal, mas de todos os países de língua portuguesa, para criarmos um espaço para a literatura dos nossos países neste mundo editorial", concluiu.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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