A revisão de dados do Ideb, indicador criado pelo governo para orientar o direcionamento de verbas da educação, alterou a nota de mais de 30 cidades do país. Os números definitivos estão previstos para serem divulgados ainda nesta quinta-feira (21) pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).
No ensino fundamental, 1,8% das escolas de séries iniciais sofreram alteração: 616 instituições tiveram acréscimo na nota e 73, decréscimo. Já nas séries finais, a variação ocorreu em 2,1% das escolas: 572 aumentaram a nota e 31, diminuíram.
Os municípios tiveram alteração de 0,3% e 0,4% do índice nos anos iniciais e finais, respectivamente. Nas primeiras séries, 18 cidades subiram na média, enquanto 10 caíram. E nos últimos anos, 24 municípios aumentaram a nota e 7 diminuíram.
Segundo o MEC (Ministério da Educação), os estados de São Paulo, Pernambuco e Pará foram os únicos com variação no Ideb, todas positivas, e iguais a 0,1.
Polêmica
O Ideb preliminar foi divulgado no dia 20 de junho, mas antes mesmo de se tornarem públicas, as notas causaram polêmica. Segundo havia informado a coluna de
Renata Lo Prete na Folha de S.Paulo, a nota da cidade de São Paulo no indicador foi distorcida para baixo.
"Foram computados como reprovados alunos transferidos, que deixaram de freqüentar a escola ou morreram", informa a coluna. Isso baixou as notas da capital paulistana, segundo a coluna, de 4,3 para 4,1 o Ideb da quarta série e de 4,4 para 4,1 o da oitava.
O Inep abriu um prazo para que gestores ou coordenadores do Censo da Educação Básica encaminhassem um pedido de correção de dados para o recálculo do Ideb.
O Ideb 2007 avaliou 49.718 escolas, 5.553 municípios e 27 Estados. O critério adotado foi o de participação mínima de dez alunos na série avaliada (4ª e 8ª série) e, em caso de escolas menores, pelo menos 50% de participação dos alunos. O indicador leva em conta as taxas de aprovação, abandono escolar e o desempenho em duas avaliações nacionais feitas em 2007, o Saeb e a Prova Brasil.
Nova versão
O Ideb é calculado a partir de dois componentes: taxa de rendimento escolar (aprovação) e médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar preenchido por cada escola e realizado anualmente --as médias de desempenho utilizadas são as do Saeb.
Outra forma de coleta é a feita pelas secretarias que têm seu próprio Censo e transmitem para o Inep os dados coletados em seus sistemas. Segundo o Inep, em ambos casos, os dados são de responsabilidade das redes --estadual, municipal e privada.
Com a publicação do Ideb, algumas escolas, e mesmo redes, detectaram que havia erros em seu lançamento de dados do Censo. "Como o Ideb tem mais visibilidade, os erros que as redes não viram na ocasião foram detectados agora", explica Reynaldo Fernandes, presidente do Inep.
Após o encerramento dos pedidos de correção, o Inep irá lançar os dados, fazer as devidas adequações e reprocessar a tabela do Ideb. A versão definitiva do indicador será publicada em agosto.
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