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21/08/2008 - 20h23

Correção do Ideb 2007 tira SP da recuperação e aumenta nota de PE

Da Redação
Em São Paulo
Atualizada às 10h do dia 22/08

Os dados definitivos do Ideb 2007, indicador criado pelo governo para orientar o direcionamento de verbas da educação, foram divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) nesta quinta-feira (21), depois de um prazo de 30 dias para que escolas e redes fizessem a correção. São Paulo e Pernambuco foram os dois únicos Estados que sofreram alteração no índice total.

Nas séries iniciais (até 4º ano), São Paulo saiu da recuperação, subindo de 4,9 para 5 e dividindo a primeira colocação com Distrito Federal e Paraná. A nota, no entanto, não significa excelência, já que a escala vai até 10. Nas séries finais (até 8º ano), Pernambuco foi de 2,8 para 2,9, continuando na penúltima posição, atrás apenas de Alagoas, que tem 2,7.

Pará é o Estado com maior número de alterações em todo o relatório: são sete escolas das séries iniciais e 26 das séries finais que tiveram a nota modificada. Nenhuma delas ultrapassa diferença de 0,7 e, por isso, o resultado não interferiu no Ideb total.

Polêmica

A polêmica em torno da divulgação preliminar do Ideb 2007 do município de São Paulo se confirmou com a correção dos dados e resultou na alteração de 0,2 pontos. A cidade saiu dos 4,1 para 4,3 nas primeiras séries e de 3,7 para 3,9 nas séries finais.

Os erros foram causados no preenchimento do Censo Escolas. Foram computados como reprovados alunos transferidos, que deixaram de freqüentar a escola ou que morreram, distorcendo o resultado do indicador.

Para Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, os erros no Censo são comuns. "Eles são fornecidos pelas escolas e pelas redes, que podem cometer erros na transferência. Isso já aconteceu antes e deve acontecer sempre, por isso abrimos um prazo para que os municípios solicitem as correções".

Segundo ele, as mudanças no Ideb 2007 foram muito pequenas. "Está tudo dentro dos conformes, não mudou quase nada. O estranho foi só a polêmica que se criou em torno disso".

Pior escola

Apontada como a pior instituição nas séries iniciais do país na avaliação preliminar, a escola Ruy Paranatinga Barata, em Belém (PA) teve a nota elevada de 0,1 para 2,8 na nova lista de notas do MEC. Ainda assim, o novo índice mantém a escola abaixo da média nacional, de 4,2.

A diretora da escola, Léa Gomes Miranda, disse à Agência Brasil que a diferença em relação ao resultado anterior a uma possível falha na transmissão de dados. "A nota não fazia jus ao nosso trabalho na escola. Enfrentamos muitas dificuldades, mas estamos lutando. As crianças diziam: 'Tia, nós não somos os piores como estão dizendo'".

Outra escola paraense, do município de Santa Maria do Pará, também teve uma elevação expressiva no índice: saltou de 0,4 para nota 5.

Nova versão

O Ideb 2007 avaliou 49.718 escolas, 5.553 municípios e 27 Estados. O critério adotado foi o de participação mínima de dez alunos na série avaliada (4ª e 8ª série) e, em caso de escolas menores, pelo menos 50% de participação dos alunos. O indicador leva em conta as taxas de aprovação, abandono escolar e o desempenho em duas avaliações nacionais feitas em 2007, o Saeb e a Prova Brasil.

O indicador é calculado a partir de dois componentes: taxa de rendimento escolar (aprovação) e médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar preenchido por cada escola e realizado anualmente --as médias de desempenho utilizadas são as do Saeb.

Outra forma de coleta é a feita pelas secretarias que têm seu próprio Censo e transmitem para o Inep os dados coletados em seus sistemas. Segundo o Inep, em ambos casos, os dados são de responsabilidade das redes --estadual, municipal e privada.

Com a publicação do Ideb, algumas escolas, e mesmo redes, detectaram que havia erros em seu lançamento de dados do Censo. "Como o Ideb tem mais visibilidade, os erros que as redes não viram na ocasião foram detectados agora", explica Reynaldo Fernandes, presidente do Inep.

Após o encerramento dos pedidos de correção, o Inep irá lançar os dados, fazer as devidas adequações e reprocessar a tabela do Ideb. A versão definitiva do indicador será publicada em agosto.
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