22/08/2008 - 11h33
"Brasil deveria chorar por ser o penúltimo na olimpíada da educação", afirma Cristovam
Agência Senado
Ao comentar o choro das jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol por terem ficado em segundo lugar nas Olimpíadas de Pequim, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse lamentar que o país não demonstre a mesma tristeza por ter sido classificado em penúltimo lugar na avaliação sobre a qualidade da educação, realizada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
"Tirar o segundo lugar entre mais de 200 países que participam das Olimpíadas em Pequim não deveria ser motivo de tristeza, e sim de alegria. Deveríamos chorar por termos sido classificados em penúltimo lugar em educação entre os países avaliados pela OCDE", afirmou Cristovam.
Conforme destacou o parlamentar, o fato de o Brasil não conquistar melhores resultados em competições olímpicas é reflexo da baixa qualidade da educação no país. Para Cristovam, é nas escolas que jovens talentos são descobertos, sendo também o local onde a formação esportiva tem início.
"No nosso caso, as crianças não têm escola, pois se matriculam, mas não freqüentam. Freqüentam, mas não assistem às aulas. Assistem, mas não aprendem e, sobretudo, não permanecem", opinou ele.
Escola integral
Em seu pronunciamento da tribuna do Plenário nesta sexta-feira (22), o senador anunciou a apresentação de projeto de lei determinando a criação de programa federal para implantação de horário integral nas escolas públicas.
O texto prevê que o programa seja implementado de forma paulatina, podendo levar até 20 anos para chegar a todas as escolas. A proposição também determina a criação da carreira nacional do magistério, definindo direitos e deveres comuns a todos os professores do país, conforme explicou o parlamentar.
"Existe a carreira nacional para funcionários do Banco do Brasil, para a Caixa Econômica, da Receita Federal, da Polícia Federal. Por que o professor tem uma carreira municipal? Como podemos querer uma igualdade da educação em todo o país se a carreira do professor é diferente, se as verbas e as metas são locais?", questionou Cristovam.
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