Os alunos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que estão acampados em frente ao prédio da reitoria, na zona sul da capital paulista, não querem que o vice-reitor da instituição, Sergio Tufik, assuma o
cargo renunciado ontem por Ulysses Fagundes Neto. Essa é a motivação que o coordenador geral do DCE Tiago Cherbo, 23, atribui ao movimento dos colegas, que pedem a saída de todos os envolvidos em irregularidades.
Na tarde desta terça-feira (26), os quatro pró-reitores colocaram o cargo à disposição da direção da universidade. São eles Luiz Eugênio Mello (graduação), Helena Nader (pesquisa e pós-graduação), Sergio Antonio Draibe (administração) e Walter Manna Albertoni (extensão).
"Isso é de praxe nessas situações. Colocamos nossos cargos, que são de confiança, à disposição em respeito ao reitor e para simplificar o processo para a nova gestão. Já entreguei minha carta à reitoria", disse Luiz Eugênio ao
UOL Educação.
Nesta quarta (27), o Conselho Universitário se reunirá a partir das 8h30 para decidir os rumos da universidade. Tufik passa a responder interinamente pelo comando da universidade e tem 60 dias para realizar o processo de escolha do novo dirigente.
Para Tiago Cherbo, Tufik está envolvido no "mesmo esquema de corrupção" do reitor. "Um assinava embaixo do outro tudo o que faziam. Não temos prazo para sair daqui e não vamos deixar que ele assuma o cargo", disse o estudante de ciências biomédicas.
Onze barracas estão armadas no prédio --a maior parte dos alunos são do campus de Guarulhos e não quiseram se identificar por causa de um processo de sindicância que corre devido a uma outra ocupação na universidade. Segundo os alunos, cerca de 70 estudantes passaram a noite no local.
O casoConforme publicado na Folha de S. Paulo, o TCU (Tribunal de Conta da União) aponta viagens irregulares no uso do cartão corporativo em nome da Unifesp por parte de Fagundes Neto. Os fiscais propõem a devolução de R$ 229.550,06 aos cofres públicos.
A renúncia na Unifesp é a segunda baixa entre reitores flagrados usando irregularmente cartões de crédito corporativos. A primeira
abateu o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholand, no dia 14 de abril.
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